Como deve ser o povo que pertence a DEUS?

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Alimentos e Festas

Deuteronômio 14:1 – 16:17

A adoração não é um “contrato comercial” com Deus, no qual aceitamos adorá-lo, se ele concordar em nos abençoar. (Ver Jó 1:6-12.) Em nossa adoração a Deus, o propósito maior é agradar e glorificar o Senhor, mas um dos resultados espirituais da verdadeira adoração é que nos tornamos mais semelhantes a Cristo (2 Cr 3:18). Moisés não sabia que seu rosto estava resplandecendo (Êx 34:29), e nós nem sempre reconhecemos as transformações que Deus realiza em nosso coração e em nossa vida ao passarmos tempo com ele. No entanto, essas transformações ocorrem, e outros podem vê-las e glorificar a Deus. A adoração é nossa maior prioridade e privilégio.

Nestes capítulos, Moisés explica ainda mais a adoração de Israel e concentra-se no tipo de pessoa que deve – e que nós também devemos – ser como povo que pertence ao verdadeiro Deus vivo.

1. UM POVO SANTO (Dt 14:1-21) Não devemos, em momento algum, deixar de apreciar o fato de que somos “filhos do S e n h o r , [nosso] Deus” e “povo santo ao Senhor [nosso] Deus” (vv. 1, 2). São privilégios que não merecemos, que jamais seriamos capazes de conquistar e que desfrutamos somente pelo amor e pela graça de Deus. O Senhor declarou ao Faraó: “Israel é meu filho, meu primogênito” (Êx 4:22; ver Jr 31:9), e pelo fato de o Faraó não ter dado ouvidos nem obedecido, o Egito perdeu todos os seus primogênitos.

Antes de dar a lei no Sinai, o Senhor anunciou a Israel: “Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19:6). Como povo santo, deveria aprender a distinguir as coisas e a ser diferentes.

O santo e o profano (w. 1, 2). A palavra hebraica traduzida por “santo” significa “aquilo que foi separado e marcado, que é diferente e completamente outro”. A origem do termo “santo”, em nossa língua, está associada a “são, saudável”. A santidade está para o ser interior como a saúde está para o corpo físico. Como povo santo, os israelitas eram separados de todas as outras nações, pois a presença santa do Senhor estava com eles, e haviam recebido a santa lei de Deus (Dt 23:14; Rm 9:4). Pelo fato de ser um povo santo, não devia imitar as práticas perversas de seus vizinhos, como mutilar o corpo e raspar a cabeça em sinal de luto (1 Rs 18:28; Jr 16:6; 41:5). Isso nos lembra de Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”.

Essa parte do discurso começa e termina com o mesmo lembrete: “Porque sois povo santo ao S e n h o r ” (Dt 14:2 e 21). No Livro de Levítico, o Senhor disse ao seu povo: “Sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11:44, 45; ver 19:2; 20:7, 26; 21:8), uma admoestação que Pedro citou em sua primeira epístola e que deve ser obedecida pela Igreja de hoje (1 Pe 1:15, 16). A igreja local é um templo santo (1 Co 3:1 7) e um sacerdócio santo (1 Pe 2:5) e, portanto, os cristãos devem separar- se da contaminação do mundo e buscar a santidade perfeita no temor de Deus (2 Co 6:14 – 7:1).

O limpo e o imundo (w. 3-21). O povo de Israel deveria demonstrar que era diferente até mesmo em sua alimentação. Vimos, anteriormente, que não era permitido aos israelitas ingerir carnes contendo sangue (Dt 12:16, 23; 15:23), e em seu discurso Moisés lembra o povo das criaturas que tinham permissão para comer (ver Lv 11:1-23).

A distinção entre animais “limpos e imundos” era conhecida no tempo de Noé (Gn 7:1-10), de modo que deve ter sido dada por Deus a nossos primeiros antepassados quando os ensinou a adorar. Na lei judaica, as palavras “limpo” e “imundo” não têm relação alguma com a natureza nem com o valor intrínseco das criaturas em si. Essa designação foi dada pelo Senhor por motivos nem sempre explicáveis.

É provável que Deus tenha declarado algumas criaturas “imundas” como forma de ensinar o povo a exercer discernimento e a comportar-se como um povo santo nas atividades da vida diária, como na alimentação. O mesmo princípio aplica-se aos cristãos de hoje: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10:31).

Quando damos graças e pedimos a bênção de Deus antes de comer uma refeição, não estamos apenas reconhecendo a bondade e a fidelidade do Senhor ao suprir o pão de cada dia, mas também estamos dizendo que desejamos honrá-lo com aquilo que comemos e com a maneira de comermos.

Os israelitas que quisessem glorificar a Deus se recusariam a ingerir qualquer coisa que tivesse sido proibida pelo Senhor.

Outro fator para a instituição das leis alimentares pode ter sido a relação de algumas criaturas proibidas com cultos pagãos que Israel devia evitar. A admoestação sobre não cozinhar o cabrito no leite da própria mãe (Dt 14:21; Êx 23:19; 34:26) pode encaixar-se nessa categoria. Alguns estudiosos acreditam que se tratava de um “ritual de fertilidade” pagão e que o leite era aspergido sobre os campos para estimular as colheitas, porém não há qualquer evidência arqueológica que apóie tal interpretação. Sabemos que essa lei incomum explica por que os judeus ortodoxos não misturam leite e carne numa mesma refeição.

A admoestação final para que não comessem nenhum animal que tivessem encontrado morto (v. 21) envolvia a prescrição importante de que os israelitas não deviam ingerir sangue, e era bem provável que houvesse sangue na carcaça. Outra consideração era o fato de os israelitas não poderem tocar em qualquer corpo sem vida, pois isso os tornava imundos (Lv 11:24, 25; 22:8). Há certas coisas que as pessoas do mundo podem fazer e que os cristãos não podem nem devem desejar fazer. De acordo com um ditado: “Outros podem – você não deve”.

Deus tem todo o direito de dizer o que podemos ter a nosso redor (Dt 12:1-3) e o que podemos colocar dentro de nós.

2. UM POVO GENEROSO (Dt 14:22-29) Quando estudamos Deuteronômio 12, vimos que Deus ordenou a seu povo que desse 10% de sua produção (grãos, frutas, legumes, verduras e animais) a ele como forma de adoração e como expressão de gratidão por suas bênçãos. Todo ano, cada família deveria ir ao santuário para dar seu dízimo aos levitas, que, por sua vez, davam o dízimo dessas ofertas aos sacerdotes (Nm 18:20- 32). Moisés repetiu esse mandamento, pois, em se tratando de dar ao Senhor, algumas pessoas precisam ser lembradas disso mais de uma vez (2 Co 8:10, 11; 9:1-5).

O povo de Israel deveria ser generoso com os dízimos e ofertas, pois o Senhor havia sido generoso com seus filhos. Cada vez que levassem seus dízimos e contribuições para o santuário e desfrutassem uma refeição de ações de graças, isso os ensinaria a temer ao Senhor (Dt 14:23), pois se não fosse pela bênção do Senhor, não teriam o que comer e nem o que ofertar. Como disse Davi, tudo o que damos a Deus vem antes das mãos do Senhor, e tudo pertence a ele (1 Cr 29:16). Quando deixamos de temer a Deus e de apreciar sua provisão abundante, tornamo-nos arrogantes e não damos mais o devido valor a suas bênçãos. Então, o Senhor tem de nos disciplinar para nos lembrar de que todas as dádivas vêm dele.

A cada três anos, o povo deveria dar ao Senhor mais um dízimo que ficava em sua própria cidade e era usado para alimentar os levitas e os necessitados, especialmente os órfãos e as viúvas. Os levitas serviam no santuário, mas se encontravam espalhados por todo o Israel. Se os israelitas demonstrassem preocupação com a necessidade dos outros, Deus abençoaria seu trabalho e permitiria que ofertassem ainda mais (Dt 14:29). Nosso Senhor prometeu: “Dai, e dar- se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também” (Lc 6:38) e

“Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará” (2 Co 9:6).

Como cristãos que desfrutam das bênçãos da graça de Deus, devemos dar muito mais do que os israelitas que viviam na dispensação da lei mosaica. O Novo Testamento não apresenta uma ordem explícita sobre quanto devemos ofertar, mas nos insta a contribuir segundo a proporção das bênçãos que recebemos do Senhor (1 Co 16:1, 2; 2 Co 8 – 9). O cristão egoísta vai sempre sair perdendo, mas o que é generoso desfrutará as bênçãos de Deus. Porém, o industrial cristão R. G. LeTourneau costumava advertir: “Não adianta contribuir pensando no que se vai receber”. Nossa motivação deve ser sempre agradar a Deus e glorificá-lo.

3. UM POVO QUE CONFIA (Dt 15:1-18)

Aqueles que acreditam que é necessário ter um bocado de fé para dar a Deus o dízimo de sua renda provavelmente vão ficar estarrecidos ao ler essa parte da lei. Assim como cada sétimo dia da semana deveria ser separado para Deus, também cada sétimo ano deveria ser separado como ano sabático. Durante esse ano, os israelitas não cultivariam a terra, mas sim a deixariam repousar. O povo teria de confiar em Deus para produzir os grãos, os legumes e as frutas necessários a seu sustento e ao de seus rebanhos e animais domésticos. (Ver Lv 25:1-7.) Todo quinquagésimo ano deveria ser observado como “ano do jubileu” (Lv 25:8ss), quando a terra permaneceria mais um ano sem ser cultivada! Sem dúvida, seria preciso que o povo tivesse fé de modo a confiar que Deus supriria todas as suas necessidades durante dois longos anos!

O devedor pobre (w. 1-11). Porém, o ano sabático implicava muito mais do que descanso para a terra (Êx 23:10, 11). Também significava o cancelamento de dívidas (Dt 15:1-11) e a libertação de servos que haviam trabalhado para seu senhor por seis anos (vv. 12-18).

O ano sabático e o ano do jubileu faziam parte do plano sábio de Deus para equilibrar a balança econômica de Israel, de modo que os ricos não explorassem os pobres, e os pobres não se aproveitassem dos ricos. Porém, o Senhor sabia que sempre haveria pobres na Terra (Mt 26:11; Mc 14:7; Jo 12:8), pois Israel nem sempre obedeceria a essas leis. A nação de Israel teria sido a mais próspera da Terra se tivesse seguido as instruções que havia recebido de Deus, mas rejeitou a vontade dele e adotou os métodos das nações vizinhas. Não guardou o sétimo ano como ano sabático nem o quinquagésimo como ano de jubileu (Lv 26:32-45) e teve de pagar o preço por esse erro. Os setenta anos de cativeiro na Babilônia deram à terra o repouso que não havia recebido durante aqueles anos de desobediência (2 Cr 36:14-21).

O ano sabático era uma prova de fé, mas também era uma prova de amor (Dt 15:711). Suponhamos que um israelita pobre precisasse de um empréstimo e só faltassem dois anos para o ano sabático. O devedor receberia um ano a mais para pagar a dívida, e o credor perderia um ano de juros! Assim, deveria abrir tanto o coração quanto a mão para ajudar o irmão, e o Senhor providenciaria para que fosse recompensado por sua generosidade. Ver Provérbios 14:21, 31; 19:17; 21:13; 28:27; Efésios 4:28; 1 Timóteo 6:17- 19; 1 João 3:14-18.

O servo contratado (w. 12-15, 18). Os devedores israelitas que não conseguissem pagar suas dívidas podiam tornar-se servos da casa de seu credor e, dessa forma, pagar com trabalho aquilo que deviam. Os israelitas não poderiam tomar seus compatriotas como escravos, apesar de terem muitos escravos de outras nações (Lv 25:39-43). Os servos deveriam ser libertos depois de seis anos de serviço, quer o sétimo ano fosse sabático quer não. Essa lei parte do pressuposto de que seis anos de serviço de um homem sem receber salário eram o suficiente para pagar a dívida.

O servo voluntário (w. 16-18; Êx 21:1-6). Havia a possibilidade de o devedor apegar-se à família que havia servido durante os seis anos e de querer ficar com ela. Talvez tivesse se casado nesse meio tempo, formando sua família, e desejasse ficar com ela. Caso essa fosse a escolha do devedor, ele seria levado aos juízes, que tornariam oficial sua decisão. Então, o senhor poderia fazer um furo na orelha dele para marcá-lo como servo voluntário para o resto da vida. Uma serva podia tomar a mesma decisão, mas ver Êxodo 21:7-11 para prescrições específicas.

Sem dúvida, encontramos aqui uma mensagem para o povo de Deus nos dias de hoje. Devemos amar nosso Senhor a ponto de desejar servi-lo de bom grado e com alegria por toda nossa vida. Jamais devemos encarar nosso serviço como “escravidão”, mas sempre como privilégio. As palavras “Eu amo meu senhor […] não quero sair forro” (Êx 21:5) são uma confissão maravilhosa de fé e de amor.

A ênfase desta seção é sobre a fé que produz generosidade. Se temos o coração endurecido e a mão fechada (Dt 15:7), isso mostra que, na verdade, não cremos que Deus cumprirá suas promessas e proverá para os que dão aos necessitados. Jesus tornou- se pobre para nos fazer ricos (2 Co 8:9), e ele nos abençoa a fim de que possamos ser uma bênção para outros.

4. UM POVO QUE CELEBRA (Dt 15:19 – 16:17; LV23) O Senhor deu a Israel um calendário sem igual para ajudar os israelitas a se lembrar de quem eles eram e para encorajá-los a recordar tudo o que Deus havia feito por eles. Ao seguir esse calendário de datas especiais a cada ano, Israel encontraria motivos para muita celebração pelas misericórdias do Senhor para com seus antepassados e para com eles. Ao estudar esse calendário, devemos ser gratos e nos regozijar por termos tão grande salvação e tão grande Salvador.

No sétimo dia da semana, os israelitas celebravam o sábado. Deus lhes deu o sábado como sinal de que eram o povo especial da aliança e de que pertenciam ao Criador do Universo (Êx 31:12-17). Não há registro algum nas Escrituras de que Deus tenha dado o sábado a outros povos ou ordenado que se guardasse esse dia (ver Cl 2:16, 17). O sétimo ano era o ano sabático (Dt 1 5:1-11), e o quinquagésimo era o ano do jubileu (Lv 25:8-55).

O ano civil de Israel começava com o Rosh Hashanah, a Festa das Trombetas, no primeiro dia do sétimo mês (setembro-outubro para nós), mas o calendário religioso começava com a Páscoa no décimo quarto dia do primeiro mês (março-abril para nós; ver Êx 12:1, 2). A semana seguinte era a Festa dos Pães Asmos. No dia depois da Páscoa, que era domingo, o sacerdote movia diante do Senhor os primeiros feixes da colheita de cevada, sendo que essa ocasião era conhecida como Festa das Primícias. Cinquenta dias depois, era celebrado o Pentecostes e, do décimo quinto dia ao vigésimo primeiro dia do sétimo mês (setembro-outubro), o povo comemorava a Festa dos Tabernáculos.

Moisés enfatizou apenas três dessas sete ocasiões, pois eram as festas que todos os homens de Israel deveriam comemorar no santuário central todos os anos (Dt 16:16, 17; Êx 23:14-17; 34:22-24). Esse lugar seria o tabernáculo e, posteriormente, o templo em Jerusalém.

Páscoa e Pães Asmos (15:19 – 16:8; Êx 12 – 13). Moisés trata de três tópicos relacionados à Páscoa: a santificação dos animais primogênitos (Dt 15:19-23); o sacrifício do cordeiro pascal (Dt 16:1-3, 5-17) e a observação da Festa dos Pães Asmos (vv. 4, 8). Na primeira Páscoa no Egito, Deus matou todos os primogênitos da terra, tanto humanos quanto animais, exceto pelos hebreus que estavam em casa e protegidos pelo sangue nos umbrais das portas (Êx 12:12, 13). A partir de então, Deus tomou para si todos os primogênitos de humanos e de animais de Israel, e todos tinham de ser redimidos com um sacrifício (Êx 13:1-3, 11-13; Lv 12; Nm 18:14-19; Lc 2:21-24). Se o animal não fosse redimido, deveria ser morto. Sempre que um pai israelita precisasse redimir um animal primogênito, tinha a oportunidade de explicar aos filhos o significado da Páscoa.

A Páscoa era o “dia da independência” de Israel como nação, pois naquela noite o Senhor não apenas os libertou da escravidão como também demonstrou seu grande poder sobre os deuses e exércitos do Egito.

A interpretação e aplicação da Páscoa no Novo Testamento identifica o cordeiro com Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que deu sua vida pelos pecados do mundo (Jo 1:29; 1 Co 5:7; 1 Pe 1:19; Ap 5:12). Fora da cidade de Jerusalém, Jesus morreu na cruz no momento em que os cordeiros pascais estavam sendo imolados pelos sacerdotes no templo.

A Festa dos Pães Asmos vinha logo depois da Páscoa e durava uma semana (Dt 16:3, 4, 8). Nesses dias, não era permitido haver qualquer fermento na casa dos israelitas. Na primeira Páscoa, os hebreus não tiveram tempo de esperar a massa crescer e, assim, comeram pão asmo com carneiro assado e ervas amargas (Êx 12:1-12; 13:2-10).

Em 1 Coríntios 5:8, Paulo comparou a vida da igreja local com a “[comemoração] da festa” da Páscoa. A igreja não comemora literalmente essa festa, pois ela já se realizou em Cristo, o Cordeiro Pascal que se sacrificou por nós (v. 7).

Pentecostes (16:9-12; Lv 23:15-22). A palavra “pentecostes” significa “cinquenta” e vem da Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento. Essa festa era comemorada cinquenta dias depois das Primícias, o que significa que caía no primeiro dia da semana. Para o povo de Israel, era um tempo alegre de comemoração da colheita do trigo, mas, para os cristãos, celebra a vinda do Espírito Santo e é o “aniversário da Igreja” (At 2). Jesus prometeu que ele e o Pai enviariam o Espírito aos cristãos (Jo 14:16, 17), mas o Espírito não poderia vir até que jesus morresse, ressuscitasse dentre os mortos e fosse glorificado no céu (Jo 7:37, 38).

Na Festa das Primícias, o sacerdote movia diante do Senhor um feixe de grãos; mas na Festa de Pentecostes ele apresentava ao Senhor dois pães assados com fermento (Lv 23:1 7, 20). Quando o Espírito veio em Pentecostes, batizou todos os cristãos em Cristo (At 1:4, 5; 1 Co 12:13), de modo que não temos mais feixes separados de grãos, mas sim o grão transformado em farinha e, depois, em pães. A farinha era feita das primícias da colheita do trigo. A presença de fermento nos pães indica que a Igreja aqui na Terra não é pura nem o será até que Cristo a leve para o céu.

A Festa de Pentecostes dava início à época de colheita (Lv 23:22), e os israelitas deveriam compartilhar o que tinham e celebrar alegremente na presença do Senhor (Dt 16:11). Quando o Espírito veio sobre os cristãos em Pentecostes, foi o começo de uma grande época de colheita para a Igreja. A mensagem de Pedro, naquela ocasião, levou mais de três mil pessoas a Cristo (At 2:41), e, logo depois disso, seu ministério acrescentou mais duas mil pessoas (At 4:4). O Livro de Atos é o registro inspirado do crescimento da Igreja, à medida que o Espírito Santo dava poder para que os cristãos testemunhassem do evangelho no campo pronto para a colheita, onde quer que o Senhor os enviasse.

O Dr. A. W. Tozer disse certa vez: “Se Deus tirasse o Espírito Santo deste mundo, muito daquilo que a Igreja está fazendo não mudaria e ninguém perceberia a diferença”. Uma acusação e tanto de que nossas igrejas dependem de tudo menos do poder do Espírito Santo! A Igreja primitiva não tinha nada daquilo que consideramos imprescindível – orçamentos, prédios, diplomas acadêmicos e até “contatos” políticos -, mas era cheia do poder do Espírito Santo e, por meio dela, multidões voltaram-se para Cristo.

Tabernáculos (16:13-15; 23:33-44). Assim como a Festa dos Pães Asmos, a Festa dos Tabernáculos durava sete dias. Acontecia durante o outono do hemisfério Norte (setembro-outubro) e era chamada também de Festa das Cabanas, Festa de Sucote ou Festa da Colheita. Comemorava o fim das colheitas que haviam começado com a cevada, na Festa das Primícias, continuando com o trigo, em Pentecostes, seguido dos frutos: uvas, figos e azeitonas. Depois da colheita, os lavradores aravam seus campos e plantavam os grãos antes que começassem as chuvas de inverno. Durante a festa, o povo de Israel morava em cabanas feitas de ramos de árvores, uma lembrança do tempo em que seus antepassados viveram em habitações temporárias enquanto vagavam pelo deserto. Era uma semana de comemorações alegres que começava com uma santa convocação e terminava com uma assembleia solene (Lv 23:33-44).

Sem dúvida, Deus quer que seu povo seja grato e que se alegre com as boas dádivas recebidas dele. Depois que Israel se mudasse para a terra prometida, o Senhor queria que o povo se lembrasse de que a vida nem sempre tinha sido fácil e de que seus antepassados haviam morado em tendas e cabanas depois de sair do Egito. Todos nós sabemos que nenhuma geração mais jovem quer ouvir “os idosos” falarem sobre os “bons tempos”, mas o Senhor registrou a lembrança do passado de Israel na Páscoa e na Festa dos Tabernáculos, a primeira e a última festas do ano. Ao mesmo tempo que a igreja não deve viver no passado, também não deve se esquecer dele e daquilo que o Senhor tem feito por seu povo ao longo das eras. Nossa tendência é deixar de dar o devido valor às bênçãos que recebemos e esquecer a fidelidade de Deus.

Como povo de Deus, temos muitos motivos para comemorar a grandeza e a bondade do Senhor. Fomos remidos pelo sangue de Cristo (Páscoa), o Espírito Santo habita em nós e nos dá poder (Pentecostes) e somos sustentados generosamente pelo Senhor em nossa jornada de peregrinos (Tabernáculos).

Nosso tempo aqui na Terra é breve e limitado, mas um dia entraremos no céu, onde jesus já está preparando um lugar para nós. “Engrandecei o Senhor comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o nome” (Sl 34:3).

Autoria e adaptação de W.W. por Eli Vieira

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