A perseguição aos cristãos no Iêmen

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No caos da guerra civil que já dura cinco anos, os poucos cristãos ex-muçulmanos nativos são ainda mais vulneráveis

O Iêmen, 8º país na Lista Mundial da Perseguição 2020, carece de suas orações

O Iêmen, 8º país na Lista Mundial da Perseguição 2020, carece de suas orações

Iêmen enfrenta uma crise humanitária profunda. Com cinco anos de guerra civil, é um país à beira de um colapso. O processo de paz de Estocolmo iniciado no final de 2018 levantou esperanças de que a guerra pudesse terminar através de mediação internacional por uma solução política. Mas o fato de o processo ter chegado a um impasse em agosto de 2019, com o colapso da coalizão anti-Houthi, complicou ainda mais a situação. Antigos aliados, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos se separaram, assim como as milícias que eles apoiavam. No entanto, há esperança de virada no conflito após o acordo de paz, assinado em novembro de 2019, entre o Conselho de Transição do Sul (STC, da sigla em inglês) e o governo reconhecido pela ONU.

Um artigo publicado em 21 de novembro de 2018 pela BBC cita dados da organização Save the Children, que alega que “cerca de 85 mil crianças com menos de 5 anos morreram de desnutrição em três anos de guerra no Iêmen”. A situação no geral é perigosa para os cristãos no Iêmen, mas algumas áreas são particularmente ameaçadoras, como o Sul, onde há uma forte presença da Al-Qaeda. Cristãos também indicam que há mais pressão nas regiões controladas pelos houthis xiitas, no Oeste, do que em áreas sob controle do governo hadi sunita.

A perseguição geral no Iêmen corresponde à atual situação de guerra e ilegalidade, na qual os cristãos nativos são ainda mais vulneráveis. A maior parte da comunidade cristã consiste de cristãos ex-muçulmanos nativos. São eles que experimentam os níveis mais altos de perseguição no país, principalmente da família e da comunidade. Por outro lado, mesmo em meio à insegurança da guerra, há relatos de que o número de convertidos ao cristianismo está crescendo.

Além da guerra, a perseguição 

Como pode-se ver na imagem acima, a pressão em todas as esferas da vida está em um nível extremo, sendo que nas esferas nação e igreja a pressão chegou ao seu nível máximo, de 16,7 pontos. Isso é típico em países onde há opressão islâmica, que não deixa espaço para qualquer atividade aberta da igreja ou culto privado para cristãos ex-muçulmanos. A pontuação de violência ficou relativamente mais baixa entre os anos 2018-2020, o que não significa que a situação dos cristãos iemenitas tenha melhorado. No caos da guerra civil, muitos incidentes não são reportados. Também pode refletir o fato de que os convertidos se adaptaram melhor à situação de perigo, praticando a fé em sigilo ainda maior. 

Os principais tipos de perseguição presentes no país são opressão islâmica, antagonismo étnico e paranoia ditatorial. A opressão islâmica se dá porque a Constituição declara que o islamismo é a religião do Estado e que a sharia (conjunto de leis islâmicas) é a base de toda legislação. Proselitismo de qualquer fé diferente do islã é proibido e os muçulmanos são proibidos de se converter a qualquer outra religião. Os iemenitas que deixam o islã podem enfrentar pena de morte.

O antagonismo étnico ocorre porque a sociedade iemenita é fortemente tribal. Os líderes tribais geralmente reforçam a lei e a justiça de acordo com suas tradições baseadas no islamismo, independentemente do que a Constituição ou o governo dizem. No campo da paranoia ditatorial, tanto o governo como as autoridades houthi (em guerra pelo poder) têm um instinto de sobrevivência muito forte. Em áreas controladas pelos houthis, medidas foram tomadas contra indivíduos ou associações consideradas uma ameaça a sua autoridade.

Fonte: Portas Abertas

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