A Presença de Deus e a Incredulidade do Povo

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Números 13-14

John Gardner disse “Somos continuamente confrontados com grandes oportunidades disfarçadas brilhantemente de problemas insolúveis”.

O livro de números trata da presença de Deus, mas também podemos ver a desobediência do povo de Deus na jornada pelo deserto.

Em Cades-Barneia, na fronteira com Canaã, o povo agiu com insensatez e abriu mão de sua oportunidade de entrar na Terra Prometida e de se apropriar de sua herança. Esse fracasso trágico fez do nome “Cades” um sinônimo de derrota e de oportunidades perdidas. A queda de Israel em Cades é uma lembrança para nós, hoje em dia, de que é perigoso não levar a vontade de Deus a sério. Você pode acabar passando o resto da vida vagando de um lado para o outro simplesmente esperando pela morte.

Canaã é um retrato da herança que Deus planejou para seus filhos hoje, o trabalho que ele deseja que façamos e os lugares que deseja que ocupemos. O Senhor tem um plano perfeito para cada um de seus filhos, mas só podemos nos apropriar dessas bênçãos pela fé e em obediência.

Assim como o povo de Israel séculos atrás, muitos cristãos, hoje em dia, andam pelo que podem ver e não pela fé, de modo que deixam de desfrutar das coisas boas que Deus tem para eles. O que Israel fez em Cades que provocou sua derrota vergonhosa? Cometeram pelos menos cinco pecados ostensivos que os filhos de Deus, nos dias de hoje, também estão sujeitos a cometer, sofrendo o mesmo tipo de derrota vergonhosa.

1. O S ISRAELITAS DUVIDARAM DA PALAVRA DE DEUS (Nm 13:1-25) Deus libertou os israelitas do Egito para que pudessem entrar na terra prometida e desfrutar as bênçãos que o Senhor havia preparado para eles. Quarenta anos depois, Moisés lembrou à nova geração: “E dali nos tirou, para nos levar e nos dar a terra que sob juramento prometeu a nossos pais” (Dt 6:23; ver Ez 20:6).

Seu nome original era Oséias, que significa “salvação”, mas Moisés mudou-o para Josué, que quer dizer “Jeová é a salvação”. Era o tipo de nome que serviria para encorajar a fé de um soldado e lembrá-lo de que Deus estava lutando por ele.

A inspeção da terra pode ter sido uma boa ideia do ponto de vista militar, mas do ponto de vista espiritual, Deus já havia lhes dado a terra e ordenado que se apropriassem dela. O Senhor prometera-lhes vitória, de modo que tudo o que precisavam fazer era crer e obedecer. O Senhor iria adiante deles e dissiparia seus inimigos (Nm 10:33-36), mas era necessário que o povo de Deus o seguisse pela fé. Foi nisso que falharam. Duvidaram que Deus fosse capaz de cumprir suas promessas e de dar-lhes a terra.

2. OS ESPIAS DESANIMARAM O POVO DE DEUS (Nm 1:26-33; Dt 1 :26 -28 ) Diz-se que uma comissão é um “grupo de pessoas que, individualmente, não pode fazer nada e, coletivamente, decide que não há nada a fazer”. Por causa de sua falta de fé, todos os espias, exceto Calebe e Josué, ficaram desanimados com a perspectiva de entrar na terra e de lutar contra o inimigo, e seu desânimo espalhou-se rapidamente pelo acampamento. A dúvida havia se transformado em incredulidade, e a incredulidade em rebelião contra Deus (Nm 14:9; Hb 3:16-19).
É interessante como os dez espias identificaram Canaã como a “terra a que nos enviaste” (Nm 13:27) e “a terra pelo meio da qual passamos” (v. 32), mas não como “a terra que o Senhor nosso Deus está nos dando”.

Se ao menos tivessem olhado para Deus pela fé, teriam visto Aquele que era capaz de conquistar todos os inimigos e que vê as nações do mundo como gafanhotos (Is 40:22). “Não poderemos” (Nm 13:31) é o lema da incredulidade, mas “Se o nosso Deus […] quer livrar-nos […] ele nos livrará” é a afirmação da fé (Dn 3:17; ver Fp 4:13).

O que John Gardner disse sobre a esfera política também pode ser aplicado à esfera espiritual e à vida cristã de fé: “Somos continuamente confrontados com grandes oportunidades disfarçadas brilhantemente de problemas insolúveis”. Uma fé que não pode ser provada não é digna de confiança, e Deus prova nossa fé a fim de que nos certifiquemos de que ela é autêntica (1 Pe 1:1-9) e a fim de contribuir para seu crescimento. De acordo com A. W. Tozer: “A fé chega primeiro ao ouvido que escuta e não à mente que cogita”. “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:1 7).

A incredulidade é algo muito sério, pois questiona o caráter de Deus e rebela-se contra a sua vontade. “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). “E tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14-.23).

3. O POVO DESAFIOU A VONTADE DE DEUS (Nm 14:1-10) No acampamento de Israel, a incredulidade e o desânimo espalharam-se rapidamente de um coração para o outro, e logo “Levantou-se, pois, toda a congregação e gritou em voz alta; e o povo chorou aquela noite” (Nm 14:1; observe também os vv. 2 e 10). No dia seguinte, a congregação toda criticou Moisés e Arão e lamentou o fato de não ter perecido no Egito ou no deserto. Quando nossos olhos estão voltados para nós mesmos e para nossas circunstâncias, perdemos a perspectiva e acabamos dizendo e fazendo coisas ridículas.

Na maioria das igrejas, há dois ou três murmuradores crônicos que incomodam os líderes espirituais e que, às vezes, precisam ser disciplinados. No caso de Israel, tratava-se de uma nação inteira lamentando a triste situação causada por sua própria incredulidade! Em vez de admitir seus próprios erros, culparam a Deus, resolveram escolher um novo líder e voltar para o Egito (Nm 14:3, 4). Ao tomar essa decisão, rebelaram-se contra a vontade de Deus.

Quando o filho de Deus está dentro da vontade do Senhor, não há lugar para a murmuração, mesmo que as circunstâncias sejam difíceis. A vontade de Deus jamais nos conduz a um lugar em que a graça de Deus não possa prover o que necessitamos e o poder de Deus não possa nos proteger. Se nossa oração diária é: “Seja feita a tua vontade” e se andamos em obediência à vontade de Deus, então que motivo temos para reclamar? Um espírito murmurador é sinal de um coração ingrato e de uma vontade obstinada.

Deus quer que conheçamos sua vontade (At 22:14), compreendamos a sua vontade (Ef 5:1 7), agrademo-nos em fazer sua vontade (Sl 40:8) e obedeçamos de coração à sua vontade (Ef 6:6). Ao nos entregarmos ao Senhor, confiar nele e obedecer, “experimentamos” qual é a vontade de Deus (Rm 12:1,2).

Todos esses acontecimentos em Cades nos ensinam que não:

1- Há substituto para a fé nas promessas de Deus – Durante aquela caminhada pelo deserto Deus estava presente na coluna de nuvem durante o dia e a noite, mas naquele momento os expias e a povo não pararam para olhar para a presença de Deus . O que eles precisavam era tão somente confiar em Deus e obedecer a Palavra de Deus e se firmar nas promessas de Deus e caminhar em obediência aos seus mandamentos.

2-A fé implica, simplesmente, obedecer a Deus apesar de tudo o que sentimos, vemos ou pensamos que pode acontecer. Quando aqueles que são do povo de Deus confiam e obedecem, ele se deleita em fazer maravilhas por eles, pois glorifica o nome do Senhor.

Nas palavras do evangelista D. L. Moody, “a verdadeira fé é a fraqueza do homem amparando-se na força de Deus”. E pegar Deus pela Palavra e experimentá-la fazendo aquilo que o Senhor ordena. Foi aí que Israel falhou. Não vamos seguir seu exemplo!

Pr. Eli Vieira

RETIRO IP SEMEAR 2023

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