A Vida do Educador Suíço Pestalozzi: Pai dos órfãos, educador da Humanidade

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SÉRIA EDUCADORES PROTESTANTES

Este texto faz parte do artigo do professor Alexsandro M. Medeiros, “Pestalozzi: Pai dos órfãos, educador da Humanidade” onde ele nos fala sobre o educador suíço de orientação protestante, pouco conhecido pelos protestantes no Brasil, talvez porque alguns o ligam a um dos seus discípulos mais famoso seja Denizard Rivail (mais conhecido como Allan Kardec), mas ele teve outros discíipulos como: Friedrich Fröbel e Madame de Staël.

por Alexsandro M. Medeiros lattes.cnpq.br/6947356140810110 postado em mar. 2020

            Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) foi um pedagogo Suíço, de orientação religiosa protestante e se considerava um cristão sem defender uma religião específica. Seu pensamento enfatizava a manifestação da divindade através do ser humano e da caridade, que ele praticou principalmente em favor dos pobres. Por isso Pestalozzi não foi um iluminista típico, por sua forte tendência religiosa. Foi influenciado pelo movimento naturalista após a leitura da obra Emílio, do filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau (as impressões que o filósofo iluminista deixou em Pestalozzi foram tão fortes, que Pestalozzi deu ao seu único filho o nome de Jean-Jacques) e se envolveu em lutas políticas desde a juventude, fazendo parte da Sociedade Helvética – um movimento intelectual contra o poder aristocrático na Suíça. Em 1798, com a forte influência da Revolução Francesa, é deflagrada a Revolução Suíça e Pestalozzi se torna redator da Folha Popular Helvética.

            É dessa época, quando Pestalozzi já tinha mais de 50 anos, que ele terá uma oportunidade de exercitar seu método, ao ser chamado para dar aulas aos órfãos da batalha de Stanz que acabou sendo uma de suas experiências pedagógicas mais produtivas (sobre a experiência de Stanz, ver Siqueira, 2012, p. 63-; e a Carta de Stanz apud Siqueira, 2012, p. 96-108 e Lopes, 1981, p. 53-71). “As lutas pela independência e a presença de tropas francesas intervencionistas de Napoleão Bonaparte na Suíça deixaram muitas crianças que vagavam sem pais, sem casa e sem comida em torno do Lago de Lucerna” (BRETTAS, 2018, p. 418).

“Pestalozzi e os órfãos de Stan”Pintura em óleo sobre tela (1879) de Konrad Grobapud BRETTAS, 2018, p. 419

            Em um contexto em que a educação era privilégio de poucos, Pestalozzi forneceu oportunidade de aprendizado às crianças órfãs que vagavam no Cantão de Unterwalden, sem casa, comida ou abrigo. Pestalozzi as reuniu em um convento abandonado, e passou a educá-las:

acolheu cerca de quatrocentas crianças de cinco a quinze anos que lhe foram dadas a seus cuidados. Neste local o filósofo desenvolveu seus métodos educacionais com princípios básicos pautados na observação e percepção sensorial. O ensino devia começar pela experiência imediata da criança, com o estudo do meio ambiente e posteriormente, o estudo da linguagem (MIRANDA; SANTOS, 2015, p. 4).

            Em 1799 o edifício foi requisitado pelos franceses para transformar em um hospital e Pestalozzi teve que abandonar o projeto.

            Mais duas experiências se seguiram: em Burgdorf (SIQUEIRA, 2012, p. 71-79) e Yverdon (SIQUEIRA, 2012, p. 80-84). Obrigado a abandonar o projeto com as crianças órfãs de Stanz, Pestalozzi obteve permissão do exército francês para manter uma escola em Burgdorf, onde permaneceu trabalhando entre 1800 e 1804: “O Instituto de Burgdorf abriu suas portas em janeiro de 1801 e, desde o início, demonstrou grandes progressos, sendo que isso se devia, principalmente, à grande devoção de Pestalozzi e Krüssi [seu amigo e grande colaborador]” (SIQUEIRA, 2012, p. 72).

            Já em Yverdon se dedicou por vinte anos (1805 a 1825) ao seu trabalho, dando aulas para estudantes de várias origens e comandando uma equipe de professores.

Estátua de Pestalozzi em Yverdon les Bains.Disponível em: Wikipedia, acesso em fev. 2020

            Yverdon projetou o nome de Pestalozzi no exterior e foi visitada por muitos dos grandes educadores da época. Dentre seus discípulos talvez o mais famoso seja Denizard Rivail (mais conhecido como Allan Kardec)além de Friedrich Fröbel e Madame de Staël.

O Instituto Yverdon funcionava em regime de internato e com espírito de família, aplicando-se em sua plenitude o método pestalozziano. Conforme acrescenta Soetard (2010, p.21) “Pessoas de todas as partes foram observar este novo fenômeno pedagógico e aprendizes de professor foram […] para serem treinados no método Pestalozzi”. O instituto se expandiu e adquiriu fama em toda Europa (MIRANDA; SANTOS, 2015, p. 4).

            Com o grande prestígio do Instituto de Educação de Yverdon houve um aumento significativo de estudantes, inclusive estrangeiros. Mesmo assim, Pestalozzi “esforçou-se de todas as maneiras para que aquela atmosfera doméstica em que se inserira anos antes em Stanz prevalecesse também em Yverdon” (SIQUEIRA, 2012, p. 81). Em Yverdon não havia a mesma rigidez disciplinar dos internatos e eram proibidos qualquer espécie de castigo corporal. Os alunos corriam e brincavam e os portões do instituto estavam sempre abertos. Os estudos alternavam-se com trabalhos manuais, jogos, excursões, educação física.

            Cada instituto foi fundado nas ideias de como Pestalozzi acreditava ser o melhor método de ensino:

Em Neuhof [onde teve suas primeiras experiências como educador] demonstra que o contato com a natureza é imprescindível; em Stanz, colocando às claras o princípio do amor, aprimora como nunca a idéia de que o lar é fundamental para a formação da moral nos indivíduos e de que a escola deve ser tal qual a própria família; em Burgdorf distingue as diversas áreas que compõem suas hipóteses e aprende a lidar com uma enorme variedade de culturas; mas foi em Yverdon que todos esses princípios tomaram forma e amadureceram (SIQUEIRA, 2012, p. 84).

            Sobre as ideias de Pestalozzi, Cunha, Angélico e Medeiros Neta (2018, p. 63) realizaram um levantamento de autores que refletiram sobre as contribuições de Pestalozzi, de acordo com categorias como: concepção de criança, concepção de educação, método intuitivo, entre outros, como se observa no quadro abaixo.

            Pestalozzi é autor de obras como: As Horas Noturnas de um Ermitão (1780), Leonardo e Gertrudes (sua obra prima, de 1781), Minhas indagações sobre a marcha da natureza no desenvolvimento da espécie humana (1797), Como Gertrudes ensina suas crianças (1801) e muito mais (saiba mais em: Obras de Pestalozzi). Pestalozzi faleceu aos 81 anos de idade, em 1827. Em seu túmulo encontram-se as seguintes palavras:

Aqui jaz Henrique Pestalozzi, nascido em Zurique a 12 de janeiro de 1746, falecido em Brugg a 17 de fevereiro de 1827.

Salvador dos pobres em Neuhof.

Pregador do povo em “Leonardo e Gertrude”.

Pai dos órfãos, em Stanz,

Criador da nova Escola Elementar, em Burgdorf e Munchenbuchsee; em Yverdon, educador da Humanidade.

Homem, Cristão, Cidadão.

Para os outros tudo, nada para si mesmo. Abençoada seja a sua memória. (LOPES, 1981, p. 99)

Leia mais: https://www.sabedoriapolitica.com.br/products/pestalozzi/

Fonte: Site Sabedoria Política

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