As Crônicas de Nárnia

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LEWIS, C. S. As Crônicas de Nárnia, 2ªed, São Paulo: Martins Fontes, 2009, 750pg.

            Clive Staples Lewis, conhecido como Jack pelos amigos, nasceu em Belfast, Irlanda, em 1898. Lewis e seu amigo J. R. R. Tolkien, autor da trilogia O Senhor dos Anéis, faziam parte do Inklings, um clube informal de escritores que se reuniam num pub local para discutir ideias para as histórias. A fascinação de Lewis por contos de fadas, mitos e lendas antigas, juntamente com a inspiração trazida da infância, levaram-no a escrever O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa, um dos livros mais apreciados de todos os tempos. Seis outros livros vieram depois e resultaram no popular As crônicas de Nárnia. A crônica final da série, A última batalha, recebeu a Carnegie Medal, uma das mais altas marcas de excelência da literatura infantil.

            A presente resenha é dos livros: O Leão, A feiticeira e o guarda roupa.

            O livro “O Leão, A feiticeira e o guarda roupa” é dividido em 17 capítulos, perfazendo cerca de cem páginas, encontrado no volume único editado pela Martins Fontes, esta edição facilitou para quem queria ter acesso a essa coleção antes editada em vário pequenos volumes, a editora fez em grande serviço ao publico brasileiro a presente edição é em brochura apesar de popular tem qualidade gráfica tanto capa como miolo, mas pela relevância da obra poderia dispor de uma edição capa dura ainda melhor acabada.

            O conteúdo da história é por demais conhecida do publico principalmente por causa dos filmes um primeiro produzido na década de oitenta, e recentemente virou novamente um filme desta vez foram três filmes: O Leão, A feiticeira e o guarda roupa, o Príncipe Caspian e A viagem do peregrino da alvorada, que retrataram bem as histórias e apresentante ao grande publico as Crônicas de Nárnia, o que levou um bom números de novos leitores a conhecer tão bela literatura, Lewis foi descoberto pelos jovens e adultos brasileiros antes era apenas conhecido pelos críticos literário por ser um dos maiores especialista em literatura medieval um grande erudito em sua área.

            A história de O Leão, A feiticeira e o guarda roupa gira em torno de 4 Irmãos duas meninas e dois meninos, Lúcia, Susana, Pedro e Edmundo que vão passar férias na casa de um velho parente e lá descobrem um guarda-roupas que lhes transporta a um outro mundo chamado de Nárnia lugar que esta sobre grande feitiço onde é inverno o tempo todo e nunca chega o natal, lá descobrem que são aguardados e temidos, aguardados pela população de Nárnia que é comporta de pelos personagens de várias histórias dos chamados contos de fadas tais como elfos, sátiros, castores falantes, faunos etc… Mas o grande anseio da população de Nárnia é pelo retorno do grande Aslam o verdadeiro rei da Nárnia que na época estava sob o jugo da Feiticeira Branca que lançara um feitiço em Nárnia, que temia a vinda dos “filhos de Adão” que iriam reinar segundo uma antiga profecia.

            A história faz diversas alusões e referencia ao cristianismo, poderíamos até chama a história de uma grande parábola do cristianismo, são utilizados diversos termos e conceitos referentes ao cristianismo tais como “filho de Adão”, “filha de Eva” “redenção”, “pecado”. O autor empregou seu grande talento e amor na construção do texto.

            O primeiro capitulo tem por titulo “Uma estrada descoberta” aqui é feita uma breve apresentação dos personagens concentrando-se em sua personalidades, Pedro é o mais velho e naturalmente o liderados irmãos é apresentado como um jovem sensato, Susana suas características não são tão desenvolvidas ela tem mais o papel de acompanhar Pedro, os personagens que recebem destaque são Lúcia e Edmundo, e ao longo de todo texto vemos a evolução de suas personalidades de forma detalhada, Lúcia e a mais novas dos irmãos ela é meiga e inocente e já Edmundo mostra-se como um egoísta e um chato, também é apresentado a transição entre os dois mundos através do guarda-roupa. O capitulo dois “O que Lúcia encontrou” mostra o primeiro contato de Lúcia com o mundo de Nárnia, e aspectos cristãos são mostrados tais como arrependimento do Fauno que deveria entregar qualquer filho de Adão a feiticeira branca e o perdão de Lúcia. Verdades cristãs permeiam todo o livro mostrando.

            O terceiro “Edmundo e o guarda-roupa tem como foco o próprio Edmundo onde aspectos de sua personalidade são ressaltados, sua incredulidade e egoísmo,  num primeiro momento ele não acredita em Lúcia que tinha retornado de Nárnia e conta para seus irmãos e o Edmundo é quem mais implica com a pequena Lúcia, mas Edmundo vai até o guarda-roupa e atravessa até Nárnia lá encontra a feiticeira e ela logo o seduz com uma promessa de realeza ele pensa apenas em si mesmo, o quarto capitulo “Manjar Turco” Edmundo ainda em Nárnia, a feiticeira realiza um desejo dele que é um prato de Manjar Turco na verdade isso evidencia o seu egoísmo ele tem um desejo, pois ele pensa apenas em uma necessidade imediata e egoísta, quando ele chegou teve um encontro similar da sua irmã, mas com características diferentes enquanto Lúcia pensa em seus irmãos e da atenção ao fauno ele pensa em si e nas vantagens que pode obter, por conta de seu egoísmo é incapaz de perceber o perigo que corre, creio ver aqui uma alusão ao pecado e sua sedução, ele é a traído por causa de seu desejo e não pode ver o quão terrível pode ser as consequências.

            O quinto capitulo “Outra vez do lado de cá” é o retorno de Edmundo a casa, mas ele mente ou contrario de sua irmã que conta tudo o que aconteceu, ele guarda pra si. Os irmãos contam a história de Lúcia ao professor que é o dono da casa, apesar da incredulidade dos irmãos ele se mostra disposto a crer na história o autor coloca em seus lábios a famosa frase apologética de Lewis que fala sobre a divindade de Cristo “Só há três possibilidades: ou Lúcia está mentindo; ou está louca; ou está falando a verdade”(pág. 123). Aparece pela primeira vez a pergunta “o que essa crianças estão apendendo na escola” e frases semelhantes, vemos aqui uma devesa a fantasia a histórias fantásticas, pois na época da escrita da obra a educação já andava rígida demais cada vez mais cientificista, positivista não dando espaço para a imaginação o professor é aquele que apesar de adulto mantem a imaginação “ligada” algo bem característicos das crianças. Os capítulos seis “Na floresta” e sétimo “um dia com os castores” é o inicio das aventuras dos irmãos na terra fantástica, eles encontram o casal de castores que os levam pra sua casa e dão abrigo com medo que a feiticeira lhes encontre, lá eles contam um pouco sobre Nárnia, e sobre Aslam e a esperança que alimenta de sua chegada, como será mostrado logo mais a frente Aslam uma espécie de tipo[1] de Cristo, as crianças ficam admiradas só de ouvir o seu nome sentem alegria menos “Para Edmundo, foi uma sensação de horror e mistério”(pág. 133), essa é a reação de um pecador diante de Cristo, o autor mostra de forma sutil essa relação.

            O Capítulo oito “Depois do Jantar”, os castores contam a história de Aslam e seu retorno, Edmundo foge aproveitando a admiração de todos com o rei que retornaria, a imagem de sua fuga de Aslam é emblemática mostra alguém que apesar do medo, dificuldade e perigo foge do Rei, relação direta com o pecador que foge de Cristo, Edmundo sente tudo isso, mas não retorna. O capítulo nove “Na casa da feiticeira” ao chegar ao portão vê uma figura de pedra que logo imagina ser Aslam fica apavorado só depois é que percebe que tratar-se de uma estatua de preda, ao encontra a feiticeira no seu castelo revela-se um traidor por causa d cobiça, ele foi capaz de trair seus próprios irmãos o seu pecado e sua personalidade deformada vai ganhando contornos cada vez mais vivos ao longo dos capítulos é o personagem melhor construído mais desenvolvido e o mais parecido conosco.

            Capítulo dez “O encantamento começa a quebrar-se” como pode ser percebido pelo titulo, Edmundo logo percebe que as promessas eram mentirosas o que acontece o concepção do pecado[2], é feito escravo pela feiticeira, o capítulo onze “ A aproximação de Aslam” o medo dos inimigos aumenta na medida da aproximação do Leão, e é dito de Edmundo “pela primeira vez desde que esta história começou, sentiu pena de alguém que não fosse ele mesmo”(pág. 154), quando ele vê as consequência de seu pecado e a desilusão, há um inicio de mudança na pessoa de Edmundo. O capítulo doze “A primeira batalha de Pedro” marca a chegada de Aslam que causa uma mistura de pavor e admiração em quem o vê sua realeza é ressaltada. O capítulo treze “Magia profunda na aurora do tempo” marca o acordo que é feito entre Aslam e a feiticeira para resgatar o Edmundo não é dito os termos do acordo que só é revelado só capítulo catorze “O triunfo da feiticeira” vemos aqui a morte de Aslam um aspecto que deve ser ressaltado é sua lembrança a morte de Cristo, Aslam tá triste diante do fato de saber que vai morrer uma profunda tristeza o abate, ele de livre e espontânea vontade entrega-se a morte. A morte dele é descrita como uma aparente vitória da feiticeira, e uma profunda tristeza toma conta de todos os que acompanhavam o Leão.

            Capítulo quinze “Magia ainda mais profunda de antes da aurora do tempo”, é a ressurreição de Aslam, em todos surge a alegria em ver o seu retorno, é explicado que: “se uma vítima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte a andar para trás”(pág. 175), há um contraste em relação a ressurreição do Senhor e de Arlam enquanto o Senhor Jesus tinha o poder de reaver a sua própria vida, Aslam não tinha tão poder foi a magia profunda o  trouxe de volta e da a impressão que o leão enganou a feiticeira. Capítulo dezesseis “O que aconteceu com as estátuas” é visto o efeito da morte de Aslam em todos que forma vitimas da feiticeira foram salvas da condenação imposta  pela feiticeira, elas voltaram a vida. O capítulo dezessete “A caçada ao veado branco” marca o fim da batalha e como foi o reinado dos quatro irmãos em Nárnia, onde eles passaram um longo tempo, reinando de forma justa e sábia, entre os grandes feitos do reinado vemos que eles “… libertaram os anõezinhos e os sátiros da tirania escolar”(pág. 184), mais uma critica a escola que o autor faz, de fato a escola pode ser uma grande inimiga. Esse último capítulo mostra como os irmãos mudaram Edmundo mais drasticamente do que seus irmãos, mas todos cresceram tanto em suas personalidades quanto em idade, pois um longo tempo se passou desde a entrada deles em Nárnia, o encontro com Aslam os transformou profundamente. Mas quando eles saem para caçar o veado branco que realiza desejos ao ser capturado, apesar das dificuldades eles não desistem, ao se distanciar do castelo voltam ao ponto do inicio da história o lugar onde ele entraram em Nárnia já adultos retornam para o guarda-roupa e chegam em casa, mas como no instante em que iniciaram a jornada, anos se passaram em Nárnia, mas na casa foram apenas segundos e chegam como crianças.

            Essa história é altamente recomendada, pois é uma história de fantasia da mais alta qualidade, tão rara em nossos dias, histórias de fantasia deve ser parte integrante da leitura e formação integral do ser humano, isso é visto desde tempos mais remotos como os gregos que usavam a sua mitologia na educação dos seus jovens, liam os doze trabalhos de Hércules para aprender o que era bravura, honra senso de dever sem necessariamente ter que viver tais situações, Platão no seu livro a Republica defende que só deveria pertencer a classe dos guardiões (guerreiros e filósofos) quem demonstrasse bravura e coragem, e isso era dado através das histórias que eram contadas as chamadas mitologias que tinha também esse papel pedagógico. Em nossos dias é visto um desprezo por histórias em especial as fantásticas, isso explica o nível tão desprezível e abaixo da crítica que se encontra os nossos estudantes e brasileiros[3] de forma geral. Por três vezes o autor faz críticas às escolas e isso ele tem como pano de fundo a Escócia e a Inglaterra imagina se ele nos conhecesse. Sem uma boa formação da imaginação não seremos capazes de enxergar e entender a realidade que nos cerca, um momento onde estão transformando suas cosmovisões em ideologia, substituindo sua visão de mundo, sua visão da realidade pela própria realidade. É um mundo que precisa do mundo de Nárnia e acima de tudo de CRISTO!

Edson Matias

Resenha publicada anteriormente em meu outro blog; Teologia Federal.

[1] Não uso o termo com sentido teológico.

[2] Tiago 1.13-15

[3] Claro que há exceções

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