Espanha, Noruega e Irlanda reconhecem oficialmente Estado da Palestina

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Jonas Gahr Store, primeiro-ministro da Noruega; Simon Harris, primeiro-ministro da Irlanda; Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanaha. (Captura de tela/YouTube/Guardian)

Mesmo simbólica, a decisão gerou uma acalorada discussão com o governo de Israel, que acusou esses países de recompensar o terrorismo.

Espanha, Irlanda e Noruega reconheceram oficialmente o Estado da Palestina, alegando que essa ação visa redirecionar a atenção para os esforços em busca de uma solução política para o conflito no Oriente Médio.

Os três países esperam que, ao agirem em conjunto, encorajem outras nações europeias a seguir o exemplo, em um esforço diplomático que possa ajudar a garantir um cessar-fogo em Gaza e a libertação de reféns detidos pelo Hamas.

A decisão simbólica gerou uma acalorada discussão com o governo de Israel, que acusou esses países de recompensar o terrorismo.

Israel retirou seus embaixadores da Irlanda, Noruega e Espanha e repreendeu formalmente seus representantes em Tel Aviv. Todos os três foram convocados ao Ministério das Relações Exteriores de Israel na semana passada para assistir a imagens dos ataques de 7 de outubro na presença da mídia.

O reconhecimento da Palestina pelos três países também aumenta a pressão diplomática sobre Israel, especialmente após dois tribunais internacionais terem solicitado o fim das operações das Forças de Defesa de Israel (IDF) no sul de Gaza e acusado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de crimes de guerra.

Sanções contra os colonos

Os países ocidentais também intensificaram as sanções contra os colonos israelenses nos territórios palestinos ocupados.

O processo de reconhecimento diplomático varia de país para país, mas geralmente envolve uma troca formal de credenciais com a Autoridade Palestina em Ramallah.

Os consulados ou missões existentes na Cisjordânia ou em Jerusalém Oriental são então convertidos em embaixadas formais, e seus representantes passam a ser embaixadores de pleno direito.

Os três países declararam que reconhecem um Estado palestino baseado nas fronteiras estabelecidas antes da guerra de 1967, com Jerusalém como a capital tanto de Israel quanto da Palestina.

Irlanda

A bandeira palestina foi hasteada sobre o parlamento da Irlanda enquanto os deputados reservavam quatro horas para debater o assunto. Em frente ao Gabinete onde seria tomada a decisão formal, o Taoiseach (primeiro-ministro) Simon Harris declarou que essa foi uma ação “histórica e importante”.

Ele expressou esperança de que outros países europeus sigam o exemplo, enfatizando que é necessário usar todas as alavancas à disposição para incentivar um cessar-fogo.

“Este é um momento importante e penso que envia um sinal ao mundo de que existem ações práticas que podem ser tomadas como país para ajudar a manter viva a esperança e o destino de uma solução de dois Estados, num momento em que outros estão tentando, infelizmente, bombardeá-lo até o esquecimento”, disse Harris.

Noruega e Espanha

Quando o reconhecimento formal da Noruega entrou em vigor, o ministro das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, declarou que era “um dia especial para as relações entre Noruega e Palestina”.

Antes da reunião do gabinete espanhol, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que reconhecer a Palestina “não era apenas uma questão de justiça histórica”, mas também “um requisito essencial se quisermos alcançar a paz para todos”.

Ele insistiu que a Espanha não estava agindo contra Israel e que se posicionava contra o Hamas, que se opunha a uma solução de dois Estados.

Israel parece mais irritado com a Espanha. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Israel Katz, publicou um vídeo nas redes sociais que mostrava dança e música flamenca justapostas a imagens explícitas do ataque de 7 de outubro, acompanhado das palavras: “Hamas: obrigado, Espanha”.

A Espanha condenou a postagem como “escandalosa e revoltante”. Katz publicou vídeos semelhantes sobre a Irlanda e a Noruega.

A disputa se aprofundou quando a vice-primeira-ministra espanhola, Yolanda Díaz, fez um apelo público para que os palestinos fossem “livres do rio ao mar”, uma frase controversa que muitos israelenses consideram antissemita e um apelo à destruição completa do Estado de Israel.

‘Guerra contra o povo judeu’

Em uma postagem no X (antigo Twitter), Katz respondeu na terça-feira, comparando Díaz ao comandante do Hamas, Mohamed Sinwar, e ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Ele disse a Sánchez que, se ele não demitisse sua vice, “estaria participando do incitamento ao cometimento de genocídio e crimes de guerra contra o povo judeu”.

Diplomatas suspeitam que Israel respondeu de forma contundente à Espanha, Irlanda e Noruega para desencorajar outros países de seguirem o mesmo exemplo.

A Eslovênia, Malta e a Bélgica indicaram nos últimos meses que também poderiam reconhecer a Palestina. No entanto, o governo da Bélgica parece ter recuado dessa ideia antes das eleições.

O primeiro-ministro Alexander De Croo afirmou que preferia esperar até que a Bélgica pudesse reconhecer a Palestina junto com as principais nações europeias para obter um impacto maior. “O simbolismo não resolve nada”, disse ele.

ONU

A maioria dos países, cerca de 139 no total, reconhece formalmente o Estado palestino.

Em 10 de maio, 143 dos 193 membros da Assembleia Geral das Nações Unidas votaram a favor da candidatura palestina à adesão plena à ONU, algo que é reservado apenas a Estados.

Atualmente, a Palestina tem um status de observador reforçado na ONU, o que lhe confere um assento, mas não o direito de voto na assembleia. Também é reconhecida por várias organizações internacionais, incluindo a Liga Árabe e a Organização de Cooperação Islâmica.

Uma minoria de países europeus já reconhece o Estado palestino. Esses países incluem antigas nações soviéticas, como Hungria, Polônia, Romênia, República Tcheca, Eslováquia e Bulgária, que adotaram essa posição em 1988, além de outros como Suécia e Chipre.

No entanto, muitos países europeus, assim como os EUA, afirmam que só reconhecerão o Estado palestino como parte de uma solução política de longo prazo para o conflito no Oriente Médio.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO JNS

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