Guerras! Uma perspectiva cristã

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 (AFP/Getty Images/Reuters)

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Introdução

Longe da sonhada paz, 2019 herdara pelo menos oito das maiores guerras e conflitos armados em curso, com seus graus de complexidade elevados pela interferência de potências regionais e mundiais. O quadro para este ano é tão intrincado para a diplomacia e doloroso para as populações civis envolvidas quanto o registrado em 2018³ e as contínuas ameaças do Estado Islâmico, a sociedade como um todo, e principalmente aqueles que professam a fé cristã, devem começar (se já não começaram!) a ponderar sobre a temática da Guerra. A proposta desse breve artigo é oferecer uma opinião sólida e coerente sobre o assunto dentro da cosmovisão cristã, isto é, de acordo com as Escrituras.

Como em qualquer outro assunto, principalmente os polêmicos como esse, sempre há extremos, assim também ocorre em relação a guerra. Iremos expor de forma breve a visão ativista e a pacifista, ambas com a tendência de extremar e de não ser totalmente satisfatória. Por fim, apresentaremos uma via média, conhecida como seletivismo, que acreditamos estar mais de acordo com a vontade revelada de Deus nas Escrituras. 

1. Ativismo radical

In nuce, esse ativismo ensina que é sempre correto participar de uma guerra. O principal fundamento desse princípio talvez seja a obediência irrestrita ao governo, pois o mesmo é ordenado por Deus. Portanto obedecer a um é obedecer ao outro. As guerras narradas no Antigo Testamento servem como ilustração desse princípio, e também são usados alguns textos descontextualizados do Novo Testamento.

O problema gritante dessa posição (que os pacifistas imediatamente apontam) é o fato de que em uma guerra, ambos os lados reivindicam estarem certos. O ativista é forçado pela lógica a concordar que nem sempre ambos os lados podem estar certos. Porém o ativista se ilude ao se convencer que não importa quem esteja certo, devemos lutar em obediência ao Governo para evitar o caos social anárquico, e esperar que no fim, a justiça triunfe.

2. Pacifismo

No outro extremo temos o pacifismo que advoga nunca ser correta participar de qualquer guerra.

O pacifista edifica seu princípio fundamentado na ideia de que matar é sempre intrinsecamente mal/errado, (o que vai contra inúmeras passagens bíblicas). Além do mais (eles dizem), a guerra é sempre motivada pelo ódio, o que contraria o princípio bíblico do amor, é sempre baseado no mal que advém da ganância e guerras sempre geram mais guerras e muitos males resultam nesse processo.  

3. Seletivismo

Uma via média entre os dois extremos acima é a posição conhecida como Seletivismo, que afirma ser correto participar de algumas guerras. 

O patriotismo cegamente inconsequente de alguns ativistas que atribuem infalibilidade inexorável ao seu país, luta pelo mesmo não se importando com o certo e o errado. O pacifismo de alguns deixaria homens como Hitler cometerem genocídio sem o menor esforço de resistência. Ambas as posições geram insatisfação. O seletivismo que afirma que algumas guerras são justificadas e outras não está em harmonia com a ética cristã.

Tanto o ativismo como o pacifismo se apoiam em algumas partes das Escrituras. Um afirmando que as guerras são sempre justas e o outro que as guerras nunca são justas. Em resposta ao ativismo, a Bíblia ensina que nem sempre é correto obedecer ao governo, principalmente quando este contraria os mandamentos éticos de Deus. 

O pacifismo apela para um mandamento do decálogo que diz “não matarás” (Ex. 20.13). Uma melhor tradução desse mandamento é “não assassinarás”. Matar é sempre tirar a vida de alguém, mas nem sempre tirar a vida de alguém é assassinato. Tanto apena de morte como o matar em legítima defesa não são assassinatos. Nas palavras de Francis Schaeffer, em um mundo caído, algum tipo de força será necessária¹. Portanto, a fim de restringir ações perversas de pessoas más, o uso de violência é inevitável.

A teoria do seletivismo, ou “guerra justa”, foi primeiramente formulada dentro da ética cristã pelos teólogos Agostinho de Hipona (354-430 dC) e Thomas de Aquino (1225-1274 dC). Suas principais bases são:

1. Deve haver uma causa justa para a guerra:

  • Guerras devem ser travadas apenas em resposta a graves e duradouros danos causados por um agressor.
  • O motivo da guerra deve ser evitar o mal e avançar o bem.
  • O objetivo final da guerra deve ser trazer a paz.
  • Vingança, revolta ou desejo de prejudicar, dominar ou explorar e coisas semelhantes não são justificativas para a guerra.

2. Todo cenário possível de solução pacífica do conflito deve ser exaustivamente considerado primeiro.

3. O sucesso deve ser seriamente considerado, pois derramamento de sangue sem esperança de vitória não pode ser justificado.

4. A guerra deve ser declarada por uma autoridade legítima.

5. A guerra não deve causar um mal maior do que o mal que está sendo eliminado.

6. Os não-combatentes (civis) não devem ser intencionalmente prejudicados.

7. Prisioneiros e povos conquistados devem ser tratados de forma justa.


4. Conclusão


Existem pontos positivos tanto no ativismo como no pacifismo. O ativismo está correto ao afirmar que devemos obediência ao governo e o pacifismo está correto ao dizer que devemos buscar a paz e não a guerra. Mas ambas as visões são insuficientes. O seletivismo está correto ao colocar Deus acima do governo ao mesmo tempo em que afirma que devemos obedecer ao governo. Contudo, ele preserva o direito de consciência de discordar de quaisquer ordens opressivas.²

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Notas:
[1] Francis Schaeffer, A Christian Manifesto, p. 107.
[2] Norman L. Geisler, Ética Cristã: Opções e questões contemporâneas, p. 290.

3- Veja – Por Julia Braunaccess_time14 dez 2018, 10h23 – Publicado em 14 dez 2018, 10h00

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Autor: Willian Orlandi
Divulgação: Agreste Presbiteriano

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