Missões ganharam novo impulso com Reforma Protestante

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João Calvino e Martinho Lutero. (Foto: Domínio público)

Um dos reformadores, João Calvino enviou centenas de missionários para plantar e apoiar igrejas em toda a Europa.

Reforma Protestante celebra 506 anos neste 31 de outubro. O movimento desencadeou uma série de contribuições sociais, entre elas na política, na educação e na teologia. Além de importantes doutrinas, como a justificação somente pela fé ou a Sola Scriptura.

Apesar da importância crucial nestas áreas, não se deve esquecer de que a Reforma Protestante também foi um movimento missionário.

O fato de os reformadores enxergarem o sacerdócio como um ofício pertencente a todos os cristãos fortaleceu as missões tanto no século 16 como hoje.

Segundo Alex Lowther, do podcast da Ligonier, Jesus criou um sacerdócio perfeito que de uma vez por todas trouxe as pessoas a Deus em si mesmo, o sacrifício perfeito.

“E o que é verdadeiramente notável é que Jesus partilha este sacerdócio com o seu povo. Pertencer a Cristo significa pertencer ao seu sacerdócio – e esse privilégio pertence a todo crente (1 Pedro 2:9)”, diz.

O sacerdócio conectado a missões

Lowther diz esta ideia aparece frequentemente nos escritos dos reformadores.

Ele explica que Martinho Lutero argumentou que a palavra “sacerdote” deveria ser tão comum quanto “cristão”, uma vez que todo cristão pertence ao sacerdócio de Cristo.

João Calvino, diz Lowther, concordou, ensinando em suas Institutas da Religião Cristã que todos aqueles que pertencem a Cristo são sacerdotes.

Heinrich Bullinger também ensinou que todos os cristãos, tanto homens como mulheres, são verdadeiros sacerdotes no reino de Cristo, continua.

“Os reformadores foram claramente unívocos na sua responsabilidade para com os cristãos – cada um de nós é um sacerdote pertencente ao próprio sacerdócio de Cristo. E o privilégio de pertencer ao sacerdócio de Cristo vem acompanhado do mesmo dever que pertencia aos sacerdotes em épocas passadas: devemos levar o nosso próximo a Deus”, diz.

Difusão do Cristianismo

Lowther diz que “os reformadores compreenderam bem es dever, evidenciado pela difusão do Cristianismo Reformado”.

“Calvino era o líder espiritual de Genebra, na Suíça, que se tornou um refúgio para os protestantes que enfrentavam a perseguição da igreja romana”, explica.

Lowther diz também que milhares de cristãos protestantes fugiram para Genebra na década de 1550, duplicando a população da cidade em apenas uma década.

“Os refugiados foram restaurados, educados e enviados de volta para fortalecer as igrejas nos seus países de origem, alcançando eventualmente milhões na Europa e fora dela”, relata.

Missionários em campo

Lowther diz que os presbiterianos são uma das muitas denominações cujas raízes remontam a Genebra. John Knox, o fundador da igreja, procurou asilo sob Calvino em 1556.

“Em 1559, Knox voltou para casa, na Escócia, para estabelecer ainda mais a igreja protestante”, conta.

Sobre Calvino ele diz: “Também enviou centenas de outros missionários para plantar e apoiar igrejas em toda a Europa, incluindo Christopher Goodman (Inglaterra) e Guido de Bres (Holanda).”

E continua: “Calvino até enviou missionários ao Brasil, que redigiram a primeira confissão reformada nas Américas.

Ele próprio saiu do seu país, a França, para realizar missões em Genebra, na Suíça.

“Os pregadores missionários de Genebra plantaram milhares de igrejas em todo o mundo”, diz Lowther.

Como a Reforma alimenta as missões hoje

Atualmente, muitos séculos depois da Reforma Protestante, as igrejas oriundas do movimento reformista evoluíram para denominações que lideram organizações de envio de missões, entre elas a Mission to the World (PCA), a Global Mission Initiative (ACNA) e o International Mission Board (SBC).

Essas entidades de envio missionário são responsáveis por enviar inúmeros missionários para diferentes partes do mundo.

Segundo Lowther, o ministério ordenado mantém sua relevância nos dias atuais. Pastores e ministros ordenados desempenham um papel importante na pregação da palavra, na administração e cumprimento de outras funções sacerdotais.

“No entanto, os crentes atuantes nos bancos também são essenciais. Aqueles que respondem ao chamado de Cristo para o sacerdócio frequentemente são os que exercem o maior impacto no reino de Deus”, diz.

“Os reformadores estavam profundamente comprometidos em conduzir outros a Deus, sem recuar diante de obstáculos, visando a expansão do reino de Cristo por toda a terra”, explica Lowther.

“Podemos persistir nessa missão, cientes de que Cristo nos adotou em Seu sacerdócio e prometeu edificar Sua igreja por meio de nós”, conclui.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO RADICAL

RETIRO IP SEMEAR 2023

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