Multidão enfurecida ataca cristãos no Paquistão sob alegação de blasfêmia

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O ataque aos cristãos no Paquistão. (Foto: Reprodução/ICC)

A confusão começou após os muçulmanos afirmarem que um cristão de 70 anos havia profanado o Alcorão.

No último sábado (25), uma multidão muçulmana atacou membros de uma comunidade cristã após alegações de blasfêmia, no leste do Paquistão.

Os muçulmanos em Mujahid, na cidade de Sargodha, afirmaram que um cristão de 70 anos havia profanado uma cópia do Alcorão. Shariq Kamal, chefe da polícia local, informou que a multidão também atirou pedras e tijolos contra os militares.

Segundo o jornal paquistanês Dawn, o ataque ocorreu “por instigação de um clérigo local”. Pelo menos uma casa e uma fábrica de calçados foram incendiadas pelos manifestantes.

“Eles queimaram casas e vários cristãos foram espancados”, disse Akmal Bhatti, um líder cristão. Em um vídeo compartilhado no X, um homem afirma que igrejas também foram vandalizadas.

Tehreek-e-Labbaik Radical Muslims are vandalizing Nazir Masih’s house, setting his shoe factory on fire, His factory goods have also been looted by Muslims and attempting to break into his home. The situation is extremely tense. #blasphemy #Sargodha #Pakistan #TLP pic.twitter.com/mneUQpPwPz— Faraz Pervaiz (@FarazPervaiz3) May 25, 2024

O oficial da polícia, Assad Malhi, informou que cerca de 25 dos manifestantes foram presos.  Conforme a Reuters,11 policiais sofreram ferimentos durante a operação que resgatou cerca de 10 cristãos.

A situação se acalmou tarde da noite, com líderes de ambos os lados pedindo paz. Um comitê distrital de paz, composto por funcionários e líderes religiosos de comunidades muçulmanas e minoritárias, foi anunciado para avaliar a situação.

Em uma declaração, o grupo “Minority Rights March” (“Marcha pelos Direitos das Minorias”) contou que um homem de 70 anos acusado de blasfêmia foi espancado e arrastado pela multidão. Eles acusaram a polícia de ser passiva e apenas observar o ataque, indicando aprovação tácita da violência.

A Comissão independente de Direitos Humanos do Paquistão disse que a comunidade cristã estava “em grave risco de vida nas mãos das turbas acusadas”.

No país, os cristãos representam cerca de 1,6% dos 241 milhões de habitantes.

Blasfêmia no Paquistão

De acordo com o Morning Star News, os suspeitos de blasfêmia no Paquistão são geralmente mantidos sob custódia até que o julgamento e os recursos se esgotem. Além disso, a blasfêmia contra Maomé, o profeta do Islã, é punível com a morte e a condenação normalmente ocorre com poucas evidências legais.

Com isso, as leis de blasfêmia são frequentemente utilizadas como vingança para acertar contas pessoais ou para resolver disputas sobre dinheiro, propriedade ou negócios. No país, uma única alegação é suficiente para provocar uma multidão que se revolta e lincha os acusados.

O The Christian Post informou que, em agosto de 2023, ocorreram ataques contra cristãos na cidade de Jaranwala, onde igrejas e casas foram incendiadas na sequência de acusações de blasfêmia contra dois cristãos locais.

Em dezembro de 2021, uma multidão matou um homem do Sri Lanka por acusações de blasfêmia. Embora tenham sido feitas prisões, não ocorreram alterações legislativas para coibir falsas acusações.

O Paquistão ficou em 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição da Missão Portas Abertas de 2024 dos lugares mais difíceis para ser cristão.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DE REUTERS E THE CHRISTIAN POST

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