O Deus Que Renova

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Texto: Jeremias 30 -33

Um homem medíocre pode ver quando começa a escurecer […] mas não consegue enxergar além da escuridão. Não sabe como colocar um raio de sol em sua situação. Já um grande homem penetra a escuridão e vê a glória de um amanhecer oculto. (Charles E. Jefferson)’

Estudiosos da Bíblia geralmente chamam esses quatro capítulos de “Livro da Consolação”. Neles, o Senhor explicou em mais detalhes a maravilhosa promessa que deu a seu povo por meio da carta de Jeremias aos exilados na Babilônia:

Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais (Jr 29:11).

Jeremias 30 – 33 descreve a glória do amanhecer de um novo dia para o povo de Israel, não apenas para os exilados na Babilônia, mas também para o povo judeu nos últimos dias quando o Senhor voltar. Ao estudar estes capítulos, você descobrirá que jeremias tinha em vista dois horizontes: um mais próximo, ou seja, o retorno dos exilados para Judá, e outro mais distante, ou seja, o ajuntamento de Israel vindo de todas as partes do mundo no final dos tempos.

1. É O DEUS QUE LIBERTA (REDENÇÃO): UM NOVO RECOMEÇO (Jr 30:1-24)

Jeremias recebeu as palavras registradas em 30:1 – 32:25 enquanto estava dormindo (Jr 31:26), pois Deus, às vezes, falava a seus servos por meio de sonhos (Dn 10:9; Zc 4:1). Deus instruiu Jeremias ao escrever essas palavras num livro (rolo) para que a nação tivesse um registro permanente das promessas que ele estava dando a seu povo (ver Jr 36:1-4).

Em suas instruções a Jeremias, Deus apresentou o tema de sua mensagem: Israel (o reino do Norte, tomado pela Assíria em 722 a.C.) e Judá (o reino do ‘Sul) um dia voltariam para sua terra como um povo unido (Jr 30:3). Apesar de essa profecia referir-se ao ajuntamento definitivo de judeus no final dos tempos, certamente foi um grande estímulo para os exilados na Babilônia, pois se Deus era capaz de juntar seu povo procedente de todas as nações do mundo, certamente poderia livrar Judá do cativeiro de uma nação (observe a promessa no v. 10).

Essa “redenção” de seu povo da servidão é retratada de várias maneiras.

O jugo quebrado (vv. 4-11). “Naquele dia […] eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei os teus canzis; e nunca mais estrangeiros farão escravo este povo” (v. 8). Quando os profetas usavam a expressão “naquele dia”, geralmente se referiam a um tempo futuro, quando Deus julgaria as nações do mundo e restauraria os judeus a sua terra.

No entanto, antes de Israel ser liberto, todas as nações da Terra passarão pelo “tempo de angústia para Jacó” (v. 7), expressão que descreve o período de tribulação que virá sobre a Terra (Mt 24:21-31; Mc 13:19- 27; Ap 6 – 19). Um símbolo bíblico para o sofrimento que aparece com frequência é a mulher com dores de parto (Jr 30:6); essa imagem é usada para descrever a tribulação do final dos tempos (ver Is 13:8 e contexto; Mq 4:9-13; 1 Ts 5:1-3).3

A ferida curada (vv. 12-17). No tempo de Isaías, Judá era uma nação “doente” (Is 1:5, 6), e graças ao ministério superficial dos falsos profetas (Jr 6:14; 8:11), a doença tornou-se ainda mais grave no tempo de Jeremias (Jr 10:19; 14:1 7; 1 5:18). As chagas no “corpo comunitário” eram tão graves que não havia remédio capaz de curar a nação, e Israel viu-se abandonado à sua própria sorte pelos aliados (“amantes”), nos quais os líderes judeus confiavam.

A calmaria depois da tempestade (vv. 18-24). Em seguida, Jeremias empregou a imagem da tempestade (v. 23), que havia utilizado anteriormente (Jr 23:19, 20), para descrever o ataque da Babilônia, mas dessa vez a relacionou com os julgamentos dos “últimos dias” (Jr 30:24). Deus prometeu que Jerusalém e as cidades de Judá serão reconstruídas e que a prosperidade do povo será restaurada. Suas lamentações serão transformadas em alegria, e seus filhos voltarão a desfrutar uma vida normal.

Em vez de se verem sob o domínio de um governante gentio, os judeus terão o Messias como governante – um “do meio deles” (v. 21), ou seja, um judeu. No entanto, encontramos aqui uma revelação surpreendente: não apenas o Messias será seu rei, mas também será seu sacerdote! “Fá-lo-ei aproximar, e ele se chegará a mim” (v. 21).

Em resumo, os judeus e Jerusalém passariam por um juízo terrível nas mãos dos babilônios. Acabariam usando o jugo dos gentios, levando no corpo as feridas causadas por seus próprios pecados e tendo de suportar a tempestade da ira de Deus. Mas o Senhor, a seu tempo, os livraria, quebrando esse jugo, curando as feridas e trazendo paz depois da tempestade. Tudo isso seria prenúncio do que acontecerá com os judeus no final dos tempos, quando passarem pela grande tribulação, encontrarem seu Rei-Messias e entrarem no reino.

2. É O DEUS QUE RECONCILIA: UMA NOVA NAÇÃO (JR 31 :1-30)

Uma nação é muito mais do que sua terra e suas cidades; é um povo vivendo, trabalhando e adorando em comunidade. Neste capítulo, Jeremias descreve o povo de Deus e as coisas novas que o Senhor faria por eles. Primeiro, o profeta falou a uma nação unida (vv. 1,27-30), depois a Israel (vv. 2-20) e por último a Judá (vv. 21-26).

Um povo unido (vv. 1, 27-30). Por causa dos pecados de Salomão e da insensatez de seu filho, Roboão, a nação judia dividiu-se e tornou-se Israel e Judá, o reino do Norte e o reino do Sul (1 Rs 11 – 12). Mas nos últimos dias o Senhor reunirá seu povo e será o Deus de todas as famílias de Israel (Jr 31:1). Na verdade, Deus comparou Israel e Judá a sementes que serão lançadas na terra e produzirão apenas uma colheita e não duas (v. 27).

O ministério de Jeremias levou-o não apenas a destruir e a desarraigar, mas também a edificar e a plantar (Jr 1:10); até esse ponto, o profeta havia feito praticamente apenas as duas primeiras coisas, mas no futuro Deus construirá e plantará para que o povo e a terra sejam restaurados. Ninguém mais dirá: “é culpa de nossos pais” (Ez 18:14, 19-23; Dt 24:16), pois cada pessoa assumirá a responsabilidade por seus próprios pecados.

Um Israel restaurado (vv. 2-20). Os nomes “Efraim” e “Samaria” referem-se ao reino do Norte, Israel, cuja capital era Samaria Jr 31:4-6,9,18,20). O povo do Norte foi capturado pela Assíria em 722 a.C., e os ] assírios levaram estrangeiros para a terra de modo a produzir uma raça mestiça ali (2 Rs 17). Quando o povo de Judá voltou do cativeiro, não quis saber dos samaritanos (Ed 4:1-4; Ne 2:19, 20, 23:28), atitude que persistiu até o tempo do Novo Testamento (Jo 4:9).5 Posteriormente, os samaritanos estabeleceram sua própria religião, templo e sacerdotes, o que acabou por alienar os judeus ainda mais deles.

Posteriormente, Mateus fez referência aos versículos 15-17 (Mt 2:16-18). Raquel era a mãe de José e Benjamim, e José era o pai de Efraim e Manassés, os dois líderes das tribos do Norte (Gn 30:22-24). Jeremias ouviu Raquel chorando em Ramá, onde os prisioneiros judeus estavam sendo reunidos para a longa jornada para a Babilônia (Jr 40:1). Os descendentes dela por meio de José haviam sido capturados pelos assírios, e os descendentes por meio de Benjamim (o reino do Sul) estavam indo para a Babilônia. Seu trabalho como mãe havia sido em vão! (Lembre-se de que Raquel morreu ao dar à luz Benjamim.) No entanto, Deus garantiu-lhe que tanto Efraim quanto Judá seriam restaurados (Jr 31:16,17) e, assim, que seu sacrifício não havia sido em vão.

Um Judá restaurado (vv. 21-26). Quando os judeus estavam começando sua marcha para a Babilônia, Deus os instruiu a lembrar-se das estradas e a colocar marcos ao longo do caminho, pois o povo usaria a mesma estrada para voltar. Jeremias retratou Judá como uma garota tola, indo de amante em amante, que foi chamada para voltar para casa (o profeta usou essa imagem anteriormente; ver Jr 2:1, 2, 20; 3:1-11). De acordo com a lei, uma filha que se prostituísse deveria ser morta (Lv 21:9; Dt 22:21), mas Deus faria algo inédito: ele a perdoaria e a receberia de volta!

A oração “a mulher infiel virá a requestar um homem” (Jr 31:22) já recebeu tantas interpretações que uma análise de todas elas! é um convite à confusão. A palavra traduzida como “requestar” também significa “cercar de cuidados, proteger”, sendo usada para referir-se ao cuidado de Deus com Israel durante a viagem pelo deserto (Dt 32:10). A palavra “homem” também significa “um homem forte, um campeão”, então a “coisa nova” de Deus é fazer com que as mulheres se fortaleçam de modo a proteger seus homens! (Não se esqueça de que os judeus constituíam uma sociedade extremamente machista.) Em outras palavras, a volta dos exilados não seria um desfile de andarilhos fragilizados, mas sim a marcha de guerreiros, inclusive de mulheres que, naquele tempo, eram consideradas fracas demais para lutar.8

Trata-se de uma representação do futuro ajuntamento do povo em Israel no fim dos tempos. Os judeus se alegrarão numa terra renovada, onde os cidadãos abençoarão seus vizinhos em nome do Senhor. Lavradores e habitantes da cidade viverão em harmonia por causa das bênçãos do Senhor.

3. É O DEUS QUE REGENERA: UMA NOVA ALIANÇA (JR 31:31-40)

Qualquer plano para melhorar a sociedade que ignore o problema do pecado está destinado ao fracasso. Não basta mudar o ambiente, pois o coração de todo problema é o problema do coração. Deus precisa mudar o coração das pessoas para que desejem amá-lo e fazer sua vontade. Foi por isso que ele anunciou uma nova aliança para substituir a antiga, sob a qual os judeus haviam vivido desde os dias de Moisés, uma aliança que podia orientar a conduta, mas que não alterava o caráter.

A história judaica é marcada por uma série de “renovações da aliança” que trouxeram bênçãos temporárias, mas que não mudaram o coração do povo. O livro de Deuteronômio registra uma renovação da aliança sob Moisés, antes de o povo entrar na terra prometida. Antes de morrer, Josué também dirigiu o povo numa reafirmação da aliança (Js 23 – 24). Samuel chamou a nação a renovar seus votos com Deus (1 Sm 12), e tanto Ezequias (2 Cr 29 – 31) quanto Josias (2 Cr 34 – 35) inspiraram grandes dias de “reavivamento” ao conduzir o povo de volta à lei de Deus.

O fato de essas bênçãos serem passageiras não serve de argumento contra a busca de períodos de reavivamento e de refrigério. Quando alguém disse a Billy Sunday que reavivamentos não eram necessários porque não duravam muito tempo, o evangelista replicou: “Um banho não tem efeito prolongado, mas é bom tomar um de vez em quando”. Uma nação firmada em princípios morais e espirituais deve ter períodos frequentes de renovação, a fim de manter firmes os seus alicerces.

No entanto, a nova aliança não é apenas mais uma renovação da antiga aliança que Deus deu no Sinai; é um pacto novo em todos os aspectos. A nova aliança é interior para que a lei de Deus seja escrita no coração e não em tábuas de pedra (2 Co 3; Ez 11:19, 20; 18:31; 36:26, 27). A ênfase é pessoal, não nacional, e cada um deve depositar sua fé no Senhor e receber um “novo coração” e uma nova inclinação para a piedade.

A antiga aliança procurava controlar a conduta, enquanto a nova transforma o caráter, de modo que cada um ame ao Senhor e ao próximo bem como deseje fazer a vontade de Deus. “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3:20), mas sob a nova aliança Deus prometeu: “Perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jr 31:34). Essa é a aliança que os judeus experimentarão nos últimos dias, quando olharão para o Messias e se arrependerão (Zc 12:10 – 13:1).

A base para essa nova aliança é a obra de Jesus Cristo na cruz (Mt 26:27, 28; Mc 14:22-24; Lc 22:19, 20). Visto que a Igreja de hoje partilha das riquezas espirituais de Israel (Rm 11:12-32; Ef 3:1-6), qualquer um que depositar sua fé em Cristo compartilhará dessa nova aliança (Hb 8:6-1 3; 10:14-18). Trata-se de uma experiência de regeneração ou de nascer de novo para participar da família de Deus (Jo 3:1-21).

O Senhor também afirmou a permanência de Israel como nação e a fidelidade do relacionamento dele com seu povo (Jr 31:35- 37). Seria mais fácil o Sol parar de brilhar ou a Lua e as estrelas se apagarem do que Deus quebrar as promessas que fez a seu povo. Assim como Jerusalém foi reconstruída depois do cativeiro da Babilônia, também será restaurada depois da grande tribulação de Jacó e será santa perante o Senhor

4. É O DEUS QUE RESTAURA: UMA NOVA TERRA E UM NOVO REINO (JR 32:1 – 33 :26 )

Não bastava um profeta simplesmente pregar as promessas de Deus; também era preciso que as colocasse em prática e que mostrasse a seus ouvintes que acreditava nelas. “A fé sem obras é morta” (Tg 2:26). Sendo assim, Deus orientou Jeremias a fazer um sermão prático e a comprar uma propriedade no momento mais desfavorável em Judá. Ao fazer isso, Jeremias conseguiu chamar a atenção do povo e pôde proclamar as promessas maravilhosas de Deus. O profeta teve de mostrar sua fé com ações, e Deus o abençoou por isso.

Uma “coisa ilógica” (32:1-44). O décimo ano do reinado de Zedequias foi 587 a.C., um ano antes de Jerusalém cair sob o domínio da Babilônia, época em que Jeremias ficou preso no átrio da guarda (Jr 37:21). O rei Zedequias não gostava das mensagens de Jeremias a respeito dele e da cidade (Jr 32:3-5), mas, quem sabe, a prisão do profeta foi a maneira de Deus proteger Jeremias de seus inimigos e de prover alimento durante o terrível cerco de Jerusalém. É possível prender os obreiros de Deus, mas não a Palavra de Deus (2 Tm 2:9). A Palavra do Senhor veio a Jeremias ordenando que fizesse a coisa mais ilógica: que comprasse uma propriedade no campo de batalha!

A transação (vv. 6-15). Deus disse a Jeremias que seu primo, Hananel, estava a caminho para oferecer uma propriedade em sua cidade natal, Anatote. Se Hananel tivesse aparecido de repente, é provável que Jeremias tivesse recusado a proposta. Afinal, o terreno estava nas mãos da Babilônia, Jeremias estava na prisão e, sem dúvida alguma, o futuro de sua nação era sombrio. De que serviria esse terreno para Jeremias que, de modo algum, viveria mais setenta anos?

Mas assim é a fé: obedecemos a Deus apesar do que vemos, de como nos sentimos e do que acontecerá depois. Alguém disse bem que ter fé não é acreditar apesar das evidências, mas obedecer apesar das consequências, e as ações de Jeremias ilustram esse princípio.

A transação provavelmente foi realizada na própria prisão, com tudo feito de acordo com a lei. Jeremias assinou os papéis, pagou em dinheiro e entregou os documentos legais a seu secretário, Baruque, mencionado pela primeira vez nessa passagem

A reação (vv. 16-25). Como costumava acontecer com Jeremias, uma provação que o enchia de dúvida era logo seguida de uma triunfante experiência de fé. Depois de obedecer às ordens de Deus pela fé, Jeremias se perguntou de que maneira Deus lhe daria essa propriedade e fez a coisa certa: orou sobre o assunto. A melhor maneira de lidar com a dúvida é conversar com Deus, ser honesto sobre seus sentimentos e, então, esperar que ele fale por sua Palavra.

A verdadeira oração começa com a adoração (vv. 17-19) e concentra-se na grandeza de Deus. Não importa qual seja o nosso problema, Deus é maior; quanto mais virmos sua grandeza, menos ameaçadoras se tornarão nossas dificuldades.

A confirmação (vv. 26-44). Deus supriu a necessidade de seu servo e confirmou que suas decisões haviam sido corretas. O tema fundamental da oração de Jeremias foi: “coisa alguma te é demasiadamente maravilhosa” (v. 17) e Deus reafirmou essa verdade a seu servo (v. 27).10 A boa teologia sempre leva a um coração confiante se depositarmos nossa confiança na Palavra, pois “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:17).

A reposta do Senhor a Jeremias confirmou o que Deus já havia lhe dito no passado: a cidade estava rumando para a destruição por causa das frequentes transgressões do povo (Jr 32:28-35). Em seguida, o Senhor afirmou a Jeremias que a situação não estava perdida, pois ele ajuntaria o povo e o traria de volta à terra (vv. 36-44). Essa promessa parece aplicar-se ao final dos tempos, quando Israel será reunido de “todas as terras” (v. 37) e a nova aliança estará em vigor, pois o povo terá outra atitude para com o Senhor. Depois disso, Jeremias ouviu a palavra que o alegrou: “Comprar-se-ão campos nesta terra” (v. 43). Chegaria um dia em que a compra de Jeremias seria confirmada, e seu sermão prático, justificado!

APLICAÇÃO PARA HOJE

A aplicação dessa passagem bíblica para os cristãos de hoje é obvia: o mundo ri de nós por causa da nossa fé e de nosso investimento no futuro, mas um dia Deus cumprirá sua promessa e nos justificará diante das pessoas e dos anjos. Em vez de viver em função dos prazeres pecaminosos deste mundo, buscamos a alegria do mundo vindouro. Recusamo-nos a sacrificar o eterno em troca do temporário. O mundo descrente pode nos ridicularizar, mas no final Deus justificará seu povo.

“Coisas ocultas” (33:1-26). “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes” (v. 3). A palavra traduzida como “oculta” retrata uma cidade invencível, escondida atrás de muros altíssimos – uma imagem apropriada durante o cerco de Jerusalém. A ideia é que o povo de Deus não aprende as coisas ocultas de Deus ao “arrombar os portões” com suas próprias forças, mas sim buscando o Senhor por meio da oração de fé. Pelo fato de Jeremias ter pedido ao Senhor que o ensinasse, Deus mostrou-lhe “coisas ocultas” referentes ao futuro de seu povo. O profeta sabia que a cidade estava fadada ao julgamento (vv. 4, 5), mas o Senhor lhe deu palavras de confiança e de encorajamento – promessas relacionadas ao fim dos tempos.

A nação contaminada seria curada e purificada (vv. 6-8), e a cidade infame traria alegria e honra ao Senhor, tornando-se um testemunho, para todas as nações, da maravilhosa graça e bondade do Senhor (v. 9). Um dia, a cidade deserta seria habitada por um povo que daria louvores a Deus e que expressaria seu regozijo uns aos outros (vv. 10, J 1).

A maior bênção de todas será o Rei prometido governando em justiça! (vv.14-16; ver 23:5). Jeremias já havia dito que o nome desse Rei é “Senhor, Justiça Nossa” (Jr 23:6), mas aqui Deus revelou que Jerusalém teria o mesmo nome! Sem dúvida, isso não aconteceu quando os exilados voltaram para reconstruir o templo e sua cidade. Portanto, essa promessa refere-se aos últimos dias. Então, o povo chamará Jerusalém de “cidade santa”, e o nome será apropriado.

Mais uma vez, o Senhor usou a fidelidade da sua aliança com sua criação (Gn 8:22) como base para a confiabilidade de suas promessas e a perpetuidade de seu povo (Jr 33:1 9-26; ver 31:35-37). Porém, acrescentou outro elemento: multiplicaria o povo como as estrelas do céu – uma das promessas que havia feito a Abraão (Gn 15:1-5).”

“[…] porque lhes restaurarei a sorte e deles me apiedarei” (Jr 33:26). A nação de Israel tinha um futuro promissor e abençoado, e Jeremias investiu nesse futuro. Como povo de Deus, estamos demonstrando nossa fé com nossas ações?

A.P. Eli Vieira

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