ELISEU: UM HOMEM DE DEUS

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Eliseu: Um Santo homem de Deus

 Texto: 2 Reis 4.8-10

Robert Murray M’Cheyne (1813-1843) é amplamente considerado como um dos homens mais semelhantes a Cristo que já viveu na Escócia. Ele nasceu em Edinburgo e foi educado na Universidade de Edinburgo, onde ganhou honras em idiomas e prêmios em poesia, música e desenho. Sua conversão e chamado ao ministério seguiram a morte de seu piedoso irmão mais novo, David, que tinha orado durante muito tempo por Robert. Ele estudou para o ministério da Igreja da Escócia em Edinburgo sob os cuidados do famoso teólogo Thomas Chalmers. Durante esse período do século dezenove, um despertamento evangélico varria a Igreja da Escócia, finalmente culminando no “Rompimento”, que viu quase metade da membresia deixar a Igreja Estabelecida para encontrar a mais evangélica Igreja Livre da Escócia em 1843, o ano da morte de M’Cheyne. O ministério de M’Cheyne foi parte desse movimento eclesiástico nacional. Em 1835 ele foi um ministro assistente nas paróquias de Larbert e Dunipace, perto de Stirling. Em 1836 ele foi chamado para a Igreja de São Pedro, em Dundee, que tinha uns quatrocentos membros. Seu ministério ali foi marcado por profunda santidade pessoal, oração, compaixão pela salvação dos perdidos, poderosa pregação evangélica e aconselhamento incansável. Em 1839 ele gastou seis meses na Palestina, explorando uma possível obra missionária entre os judeus. Um reavivamento irrompeu em sua congregação durante sua ausência. Ao regressar, ele ficou impressionado com essa obra, a qual em pouco tempo se espalhou por todo o país, resultando na conversão de milhares. Ele morreu aos 29 anos de idade. Sua biografia retém sua contínua popularidade (D. F. Kelly)*.

O autor dos livros de reis nos mostra uma visão teológica, para que possamos viver nestes dias difíceis, com uma fé verdadeira no Deus que controla tanto a natureza como a história. Os livros nos mostram que esse é o Deus bom e Todo-Poderoso, que mesmo diante dos dramas da vida o seu povo não pode perder a esperança, pois ele continua disposto a perdoar os que se arrependem (1 Reis 8.22ss).

Na Bíblia cristã os dois volumes do livro de Reis fazem parte da seção de livros históricos (Josué a Ester), mas na Tanakh (Bíblia judaica), ele integra a seção dos livros proféticos (Navi), divididos em duas partes: profetas anteriores (Josué, Juízes, Samuel e Reis), e os profetas posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e o rolo dos 12 profetas), os quais chamamos de profetas maiores e menores.

O livro dos Reis nos apresenta uma visão profética da história de Israel. Profética porque é uma mensagem de advertência e um chamado à fidelidade do povo de Deus presente em todos os relatos históricos do livro. Reis são proféticos, porque registra não só as palavras, mas também os atos (sinais) de dois grandes profetas pré-literários do Antigo Testamento (Elias e Eliseu), são eles assim chamados porque não escreveram suas palavras em livros, como os profetas literários, tais como Isaías e Jeremias.

Diferente dos demais profetas que pregaram sobre Samaria e Jerusalém as advertências de juízo, no livro de Reis a mensagem profética vem não somente através da pregação, mas de forma maravilhosa através de sinais impactantes. Por exemplo como na narrativa do embate entre Elias e os profetas de Baal no monte Carmelo.

Reis nos ensina sobre: 1-O Senhor é o único Deus verdadeiro; 2- O Senhor controla a história; 3-O Senhor exige adoração exclusiva; 4- As consequências da falsa adoração; 5- A fidelidade de Deus as suas promessas; 6- A fidelidade de Deus. Deus abençoa a fidelidade do seu povo fazendo cumprir as suas promessas sobre ele, mas também pune a infidelidade, como se vê no desfecho do livro.

A mensagem de Reis hoje nos desafia a viver em obediência a Deus a que nos libertou e chamou, caminhando em meio a um mundo corrompido pelo pecado. Servir a Deus e confiar plenamente nEle para nos socorrer, não em alianças profanas, como fizeram os reis de Israel e Judá que em sua maioria falharam em seguir os passos de Davi, a partir já Salomão e com raras exceções, como Ezequias e Josias. Confiar em Deus envolve renúncia, requer esforço, tempo, investimento diário no relacionamento com Ele. Aprender a confiar em Jesus como o grande Rei é deixar que os seus valores moldem todas as áreas das nossas vidas.

Os reis de Israel foram infiéis a Deus, eles não obedeceram a Palavra de Deus, se deixaram levar pela idolatria, mas mesmo em meio a desobediência de seu povo, Deus levantou homens que creram no Senhor. Foram a boca de Deus, conclamando o povo a servir a Deus, tais como Elias e Eliseu. Eliseu foi um profeta no reino do Norte. Seu nome significa “ DEUS É SALVAÇÔ. Seu ministério no reino do Norte se desenvolveu no período de seis reis ( Acabe, Acazias, Jorão, Jeú, Jeoacaz e Jeoás)

             Com base neste panorama de Reis e a partir deste enfoque profético do livro que aqui destacamos, convido você para aprendermos algumas lições com Eliseu, um santo homem de Deus. Por quê podemos dizer que Eliseu foi um santo homem de Deus?

1-PORQUE ELE ABANDONOU A VELHA VIDA AO SER CHAMADO POR DEUS (1 Reis 19.19-21)

                O profeta Elias depois que saiu do Monte Horebe, usado por Deus voltou para continuar  seu ministério em obediência ao Senhor chamou Eliseu para ser seu sucessor como Deus ordenara 1 Reis 19.16. Eliseu chamado quando estava arando  o campo, a partir desse momento toda a sua vida  se voltou para Elias e Deus. Com humildade e renuncia serviu  a Deus.

                O homem de Deus abandona definitivamente a velha vida quando é chamado- O texto de 1 Reis 19.19-21, em especial o versículo 21, nos dá alguma indicação de Eliseu, ele  era possivelmente de uma família rica. Assim que o profeta Elias lança sobre ele a sua capa, um ato simbólico que queria dizer que aquele rapaz seria o sucessor do profeta, Eliseu pede imediatamente para se despedir dos seus pais. Agora, pensemos juntos. Se as 12 juntas de bois não pertenciam a família de Eliseu ele não poderia queimar os instrumentos de madeira e muito menos matar os bois. Ainda mais para oferecer um churrasco de despedida. Aliás, aqueles que são chamados de “povo” no texto poderiam muito bem ser servos, empregados da família de Eliseu que estavam no campo e em sua casa. A preocupação em se despedir dos pais indica também que Eliseu amava a sua família.

Ao ser chamado pelo profeta Elias, Eliseu abriu mão de muita coisa para servir a Deus: profissão, bens, o aconchego do lar e a própria família. O texto não deixa dúvida que nenhuma destas coisas fez Eliseu hesitar. Tocar fogo em suas ferramentas de trabalho foi a prova inequívoca disso.

Eliseu se tornou um homem de Deus cheio de poder para testemunhar porque abandonou de forma definitiva a velha vida. Nada de voltar as velhas práticas, nada de saudades do Egito, mas, viver em novidade de vida. Assim devemos fazer também, deixando as coisas que ficaram para traz, devemos seguir para o alvo da suprema vocação em Cristo, como escreveu-nos Paulo (Fp. 3.13-14).

Ilustração: A Vida do missionário  Ashbel Green Simonton – Ashbel Green Simonton nasceu em West Hanover, na Pensilvânia, no dia 20 de janeiro de 1833, no seio de uma família de origem escocesa-irlandesa. Seu nome foi uma homenagem ao Rev. Ashbel Green (1762-1848), pastor da 2ª Igreja Presbiteriana de Filadélfia, capelão do Congresso americano, presidente do Colégio de Nova Jersey e um dos fundadores do Seminário de Princeton. O menino era o filho mais novo do Dr. William Simonton, um médico que também abraçou a carreira política, tendo sido eleito duas vezes para o Congresso dos Estados Unidos.

Em março de 1855, foi alcançado por um reavivamento ocorrido em Harrisburg. Após um período de luta espiritual, fez a sua profissão de fé no dia 6 de maio na Igreja Presbiteriana Inglesa, também conhecida como Igreja Presbiteriana de Market Square (filiada à ―Nova Escola‖), assumindo os votos feitos por seus pais, que o haviam consagrado ao ministério por ocasião do seu batismo.

Em junho de 1855, Simonton ingressou no Seminário de Princeton, em Nova Jersey. Ainda no primeiro semestre de estudos, um sermão proferido pelo professor de teologia Dr. Charles Hodge (1797-1878) o fez pensar seriamente em dedicar-se à obra missionária no exterior.

Ashbel Green Simonton, ao terminar seu curso no Seminário de Princeton, recebeu vários convites para pastorear igrejas grandes nos Estados Unidos, seu chamado ministerial, porém era para o Brasil. Muitos amigos tentaram demove-lo, alertando-o para os perigos e desvantagens de deixar o conforto para vir para um país pobre. Ele então respondeu: Não há lugar mais perigoso para um homem do que fora da vontade de Deus. Porém, o lugar mais perigoso é totalmente seguro quando se está fazendo a vontade do Senhor. Apesar de todos os riscos, este ainda é o lugar mais seguro do mundo para estar. 

Ele chogou no Brasil no dia 12 de agosto de 1859. No dia 22 de abril de 1860, Simonton finalmente conseguiu dirigir o seu primeiro culto em português. Três meses mais tarde, chegaram valiosos reforços na pessoa do Rev. Blackford e de sua esposa Elizabeth, irmã de Simonton. Inicialmente foi aberta uma sala na Rua de São Pedro onde se vendia a Bíblia (fundou a primeira Livraria Evangélica do Brasil em 1864, A Bíblia no Brasil Império, Giraldi, L.A.)

Em 19 de maio de 1861, o melhor domínio da língua permitiu que Simonton iniciasse uma classe bíblica aos domingos à tarde, em uma sala do segundo pavimento da Rua Nova do Ouvidor, n° 31, cuja assistência cresceu continuamente, variando de quinze a trinta pessoas. Nos domingos pela manhã, dirigia um culto em inglês. Depois, passou a realizar cultos em português às quintas-feiras e aos domingos, mostrando-se alegre por finalmente poder pregar aos brasileiros (e portugueses) e ver os primeiros frutos do seu trabalho. 

Como sua última contribuição ao presbiterianismo nacional, Simonton criou um seminário teológico, cujas aulas tiveram início no dia 14 de maio. Os professores eram o próprio Simonton, seu colega Schneider e o pastor luterano Carlos Wagner. Essa modesta instituição funcionou por apenas três anos, mas formou quatro notáveis pastores nacionais: Antônio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves Torres, Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa e Antônio Pedro de Cerqueira Leite. Simonton também criou uma escola paroquial, cujos professores eram os seminaristas. Teria ocorrido nessa época a criação da primeira Escola Dominical presbiteriana do Brasil (19-05). Dois meses depois, na última reunião do Presbitério do Rio de Janeiro de que participou, Simonton leu um valioso estudo intitulado 

 Um ano antes, no dia 31 de dezembro de 1866, Simonton fizera a última anotação em seu Diário, concluindo com as seguintes palavras: ―Quem me dera um batismo de fogo que consumisse minhas escórias; quem me dera um coração totalmente de Cristo. 

Ele chegou no Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. Seu ministério durou em solo brasileiro durou apenas oito anos, mas este jovem marco a história para a glória de Deus. Ele foi usado por Deus para  plantar a Igreja Presbiteriana do Rio, organizou um presbitério,  o seminário primitivo, fundou o Jornal a Imprensa Evangélica  e a primeira Livraria Evangélica do Brasil.  Hoje a IPB é uma das maiores denominações evangélicas do Brasil.

Irmãos, seguir a Jesus implica e ruptura. Jesus disse que todo aquele que lançar a mão no arado, não pode olhar para traz (Lc.9.62). Esta é uma atitude assertiva e fundamental para ser um homem e uma mulher de Deus!  Não estamos falando aqui que as pessoas devem abandonar suas famílias para servir a Deus. Mas, que infelizmente algumas pessoas querem servir a Deus sem deixar as coisas da velha vida. As fraquezas, as falhas de caráter, os pequenos vícios, os pecados de estimação.

2- PORQUE ELE IMPACTAVA A VIDA DAS PESSOAS PELO SEU TESTEMUNHO ( 2 Reis 4.8-17)

Quando olhamos para a vida e o ministério de Eleseu. O homem de Deus impacta a vida dos outros, seja pelo testemunho, pelo amor ou pelo serviço em humildade. Podemos ver o impacto na vida que Eliseu causou na mulher de Suném ao olhar para o profeta Eliseu ela disse ao seu marido: “Vejo que esse que passa sempre por nós é santo homem de Deus”( 2 Reis 4.9).

O testemunho de vida de Eliseu – a vida de dele era diferente, mesmo vivendo em meio onde muitos não conheciam a Deus. As pessoas ao olharem para ele viam um servo de Deus. A sunamita ( 2 Reis 4. 9, 16), os discípulos dos profetas ( 2 Reis 4.38-40), a serva da mulher de Naamã ( 2 Reis 5.3,4), o servo do rei dos siros 2 Reis 6.12). O testemunho do profeta Eliseu era evidente pelo povo de Israel e até por aqueles que não faziam parte de Israel.

O amor do Profeta – Se olharmos para o ministério de Eliseu, principalmente os sinais que Deus realizou por intermédio da sua vida, vemos que as pessoas eram profundamente impactadas e abençoadas pelo seu ministério. Eliseu se identificava com as pessoas e se compadecia das necessidades do seu povo. Olhe para alguns de alguns dos seus sinais: a purificação das águas de Jericó(2 Rs 2.19-22), cura de Naamã (2 Reis 5.1-19), a purificação do ensopado venenoso (2 reis 4.38-41), a multiplicação do azeite da pobre viúva (2 Reis 4.1-7), a dádiva da maternidade à mulher rica (2 reis 4.11-17), mais tarde, a ressurreição do seu filho( Reis 4.18-36). Uma pessoa só é chamada de homem ou mulher de Deus por que é reconhecida assim pelas pessoas por suas atitudes.

Ilustração: A vida do médico e missionário Dr. George William Butler – este missionário americano impactou a vida de muitas pessoas no agreste meridional de Pernambuco. Ele nasceu em Roswell na Georgia, EUA, em 12 de julho de 1854, filho de uma família pobre, iniciou os seus estudos com a esposa do pastor presbiteriano da sua comunidade. Em 1880  graduou-se pela Escola de Medicina John Hopkins da Universidade de Maryland. Clinicou em Roanoke, Virginia de 1880 a 1882. Ao ser chamado por Deus para o ministério apresentou-se  como candidato em 15 de agosto de 1882.

Embarcou para o Brasil em 31 de janeiro de 1883 e chegou em Recife-PE em 22 de fevereiro de 1883 o qual foi recebido pelo pastor John Rockwell Smith. Logo aprendeu a língua e modo de viver do povo nordestino. Depois ele retornou aos EUA por causa de um problema nos olhos, nessa ocasião ele foi ordenado pelo Presbitério de Maryland, essa foi uma exceção, visto que ele não tinha curso de seminário nem passara pelo período regular de licenciatura.

Ao retorna para o Brasil, foi transferido para São Luís no Maranhão e ali fundou a igreja presbiteriana. Ficou no Maranhão até  dia 5 de abril de 1892. Por conta das suas férias foi mais uma vez aos EUA e ao regressar em 29 de abril de 1893 fixou residência em Recife, assumindo o pastorado em Lugar de John Rockwell Smith que havia seguida para Nova Friburgo com o propósito de lecionar no Seminário Presbiteriano.

Em 1894 atendendo aos apelos do pastor Henry McCall  o casal Butler foi morar em Garanhuns-PE, onde a obra do evangelho fora iniciada debaixo de grande perseguição. No dia 6 de janeiro de 1895 o missionário batizou os primeiros conversos ( 15 pessoas) entre os quais o futuro pastor Jerônimo Gueiros.

A casa do Dr. Butler fora muitas vezes apedrejada, sua esposa colocava seus filhos debaixo da mesa para protege-los das pedras que eram jogadas no telhado de sua casa.    

Naquela época houve uma epidemia de febre amarela em Garanhuns-PE, que ceifou a vida de mais de 800 pessoas. O padre em meio à crise da epidemia saiu de Garanhuns. O servo de Deus Butler desdobou-se atendo as pessoas doentes. Quando cessou a epidemia o missionário havia granjeado a estima e respeito de todo o povo e seu trabalho produziu muitos frutos em Garanhuns e toda a região. Em Garanhuns, Butler construiu  o templo local, fundou uma escola paroquial (origem do colégio e da faculdade Presbiteriana 15 de Novembro) e contribuiu para a criação de um curso teológico que mais tarde viria a ser o Seminário Presbiteriano do Norte que nasceu em Garanhuns, depois foi transferido para Recife.

No dia 7 de fevereiro de 1898, depois de pregar o evangelho em São Bento do Uma-PE, ele e seus companheiros estavam saindo da cidade, um homem tentou matá-lo, mas o punhal atingiu o senhor Manoel Correia Vilela (conhecido como Né Vilela) que morreu imediatamente. Diante do corpo do seu irmão em Cristo, Né Vilela naquele momento ele disse: “mata-me também, sacia a tua sede, não sou melhor do que ele”, mas o homem que matou Né Vilela fugiu. Deus livrou  seu servo mais uma vez. Butler era admirado como evangelista, pregador e também como um homem de oração – orava  antes das cirurgias e durante as mesmas. 

O testemunho e amor desse missionário e médico impactou muitas pessoas em Garanhuns e região e continua falando ainda hoje.

Meus amados, as nossas atitudes falam mais alto do que as nossas palavras. Para que buscamos poder, unção, capacitação, senão para servir ao nosso próximo? Tudo o que Deus graciosamente nos dá tem um propósito, e este propósito certamente se relaciona com nosso semelhante. Está é uma atitude de um homem ou de mulher de Deus, que demonstra o quanto realmente amamos a Ele (1 Jo.4.20).

3- PORQUE ELE TINHA UMA VIDA DE INTIMIDADE COM DEUS ( 2 Reis 4.33, 6.17-20)

Quem crer no Deus que age ora na certeza que ele ouve e responde as nossas orações. Ao estudar a vida do profeta Eliseu, podemos ver que ele era homem de oração. Um homem de oração crer no soberano Deus que intervém e dirige a história. Eliseu ao tomar conhecimento que o filho da mulher sunamita estava morto, mandou o seu moço ir adiante dele até o corpo do menino e colocar o bastão sobre o corpo do moço, mas nada aconteceu. Ao chegar no quarto onde menino estava o profeta orou ao Senhor ( 2 Reis 4.33) e Deus ouviu a oração do seu servo e restaurou a vida do menino ( 2 Reis 8.5).

Quando os siros estavam em guerra contra Israel,  podemos ver a ação e a oração do profeta Eliseu, primeiro avisando ao rei de Israel sobre a posição dos siros ( 2 Reis 6.8-13), mas também rogando a Deus para abrir os olhos do seu moço para que ele pudesse ver que o número de soldados que estava em volta deles era bem maior.

O servo do homem de Deus levantou-se bem cedo pela manhã e, quando saía, viu que uma tropa com cavalos e carros de guerra havia cercado a cidade. Então ele exclamou: “Ah, meu senhor! O que faremos? ” O profeta respondeu: “Não tenha medo. Aqueles que estão conosco são mais numerosos do que eles”. E Eliseu orou: “Senhor, abre os olhos dele para que veja”. Então o Senhor abriu os olhos do rapaz, que olhou e viu as colinas cheias de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu. (2 Reis 6:15-17 )

Os verdadeiros homens e mulheres de Deus, foram homens de oração. Davi (Sl 40.1ss; Sl 142.1ss),  Elias (I Rs 18.36-38), Moisés (Nm 14.13ss), e Jesus que ensinou seus discípulos a orarem (Lc 22.44; Mt 26.41), tiveram suas vidas marcadas pela oração. Olhe para o profeta Eliseu, o profeta Elias, Daniel, Jeremias. Mulheres como Ana, Debora, Maria, etc. Foram mulheres de oração e foram usadas por Deus.

Ilustração – Ao olharmos para a história da igreja, podemos ver o exemplo da vida de oração  de muitos servos de Deus, tais como: Policarpo, ele foi um homem de oração. Segundo documentos da igreja, por volta do ano 169 d. C. Policarpo era bispo de Esmirna. Ele já estava velho ao saber dos horrores que eram praticados contra os cristãos, a mandato de Roma. Ele foi ameaçado mais não queria retirar-se da cidade. Convencido por seus irmãos refugiou-se em uma fazenda e ali orava. Certo dia, se ausentou, os soldados romanos chegaram e levaram preso dois empregados e, um destes submetido a torturas o denunciou.

E assim quando estava em sua casa os soldados romanos chegaram para prendê-lo. Ele preparou comida e bebida e pediu, para surpresa de todos que o deixassem orar como recompensa. Deram-lhe a permissão e ele orou por duas horas em voz alta. Isto deixou todos impressionados, pois como poderia um velho, assim indefeso e tão puro? Terminada a oração, foi levado para Esmirna para ser sacrificado.

No caminho tentaram convencê-lo dizendo: ora que mal há em dizer: “Senhor César” e sacrificar aos deuses como de costume, se assim salvas a tua vida? Ele respondeu não hei de fazer como me aconselhais. O Levaram para o estádio. Na presença do procônsul, foi exortado abandonar sua fé em Jesus Cristo, que jurasse pelo imperador. Ele respondeu: “faz oitenta e seis anos que sirvo ao Senhor e nenhum mal me fez, como hei de negar ao Senhor que me salvou”.  Em seu diálogo com o juiz, foi ameaçado primeiro com as feras, e depois ser queimado vivo, ele respondeu: o fogo que o juiz poderia acender demoraria pouco, e se apagaria, mas o castigo do inferno era eterno”. 

Ante a sua firmeza e fidelidade a Deus, ele foi condenado a fogueira. No meio ao fogo que começava a devorá-lo, orou agradecendo o privilégio de ser contado entre os mártires por amor a Cristo e por fidelidade ao seu ao seu Senhor e salvador(J. Gonzalez).

Os reformadores protestantes foram homens de oração. Olhe para o reformador Matinho Lutero, ele era um homem de oração. A respeito da oração ele disse: “Se eu deixar de gastar duas horas em oração a cada manhã, o diabo consegue a vitória no decorrer do dia. Tenho tanto trabalho que não posso realizá-lo sem empregar três horas por dia de oração.”

A última ORAÇÃO de MARTINHO LUTERO – O grande reformador Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, Alemanha e faleceu em 18 de fevereiro de 1546, em Eisleben, Alemanha.

Seus momentos finais foram assim registrados: “Na última quarta-feira, dia 17 de fevereiro, o Dr. Martinho Lutero sofreu uma crise de sua doença, isto é, de pressão de humores no orifício ou abertura do estômago. O mal atacou-o após o jantar. Lutando com veemência, pediu para ser isolado num quarto, onde descansou sobre seu leito por duas horas. As dores aumentavam sem cessar. O Dr. Jonas, que repousava no mesmo quarto, viu Lutero acordar e pedir que se levantasse e chamasse Ambrósio, o mestre de seus filhos, para acender o fogo num outro quarto. No momento em que ele foi transferido para esse outro quarto, Alberto, conde de Mansfield, sua mulher e vários outros entraram no aposento.

Finalmente, sentindo que sua hora fatal se aproximava, antes das nove horas da manhã do dia 18 de fevereiro, ele recomendou-se a Deus com esta devota oração:

‘Meu Pai celestial, Deus eterno e misericordioso! Tu me revelaste teu querido Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Eu ensinei sobre ele. Eu o conheci. Eu o amo como a minha vida, a minha salvação, a minha redenção. Os maus o perseguiram, caluniaram e afligiram com injúrias. Atrai minha alma para ti’.

Depois disso, repetiu três vezes o seguinte: ‘Entrego meu espírito em tuas mãos. Tu me redimiste, ó Deus de verdade!

Em seguida, citou João 3.16 : Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. para sempre’.

Depois de repetir suas orações várias vezes, foi chamado a presença de Deus. Desta forma (orando), a sua alma limpa foi pacificamente separada de seu corpo terrestre .” Fonte: Livro dos Mártires, p. 193,194.

 Não foi de forma perfunctória, que João Calvino o grande reformador de Genebra escreveu o maior capítulo das Institutas da Religião Cristã sobre a oração (Inst. III, XX), Para Calvino a “oração é o principal exercício da fé mediante o qual recebemos diariamente os benefícios de Deus”.

O patriarca do Presbiterianismo John Knox, era um homem de oração, ele orava a plenos pulmões dizendo: “Oh Deus dá-me a Escócia, se não, eu morro”. A rainha da Escócia temia mais as orações de John Knox do que o próprio exército inglês.

Os puritanos foram homens poderosos e fervorosos  diante da presença de Deus em oração. Na Escócia viveu o jovem pastor Robert Murray M`Cheyne, conhecido como o último dos puritanos, segundo os escoceses, este foi o homem que viveu na Escócia que mais se assemelhou a Jesus Cristo, não obstante ter morrido jovem com apenas 29 anos de idade, o seu ministério durou apenas seis anos, mas foi muito profícuo.

Sua piedade era visível a todos, no domingo de manhã quando ele se dirigia para pregar a igreja, muitos ao olharem para ele, antes dele começar a pregar começavam a chorar. Qual foi o segredo do ministério tão abençoado deste jovem pastor? Foi sua vida de oração, de intimidade com Deus.

O grande pregador ao ar livre George Whitefield(1714-1770). Ardia nele um zelo santo de ver todas as pessoas libertas da escravidão do pecado. Durante um período de vinte e oito dias fez a incrí­vel façanha de pregar a 10 mil pessoas diariamente. Sua voz se ouvia perfeitamente a mais de um quilômetro de distância, apesar de fraco de físico e de sofrer dos pulmões. Não havia prédio no qual coubessem os auditórios e, nos países onde pregou, armava seu púlpito nos campos, fora das cidades. Whitefield merece o título de príncipe dos pregadores ao ar livre, porque pregava em média dez vezes por semana, e isso fez durante um período de trinta e qua­tro anos, em grande parte sob o teto construído por Deus – os céus. Este homem lutava com Deus em oração dizendo: “Se não queres dá-me almas, retira a minha!”.

Portanto, meus irmãos, orar é um privilégio, bem como uma grande responsabilidade que o Senhor deixou em nossas mãos

Nos dias atuais, muitos cristãos, não estão buscando a face do Senhor. A nossa maior necessidade hoje é vivermos na presença de Deus. Se queremos ser diferentes e testemunhas de Cristo nesta atualidade, precisamos buscar a face de Deus em oração, depender e viver na presença do Senhor, que  ouve e responde as nossas orações.

Conclusão: 

Meus amados irmãos, que possamos receber a mensagem da vida e do ministério do profeta Eliseu, para nos instruir e nos ensinar como é ser um verdadeiro homem ou mulher de Deus. Que possamos apreender e servir Deus, ou seja, deixar de forma definitiva a velha vida, e servir a Deus com sinceridade, descansando em sua graça que nos foi concedida na cruz ao invés de buscar através da religiosidade conquistar coisas temporais de Deus. Para que assim possamos impactar a vida das pessoas que vivem conosco, sendo verdadeiras testemunhas do Senhor. Que a cada dia tenhamos fome e sede da presença de Deus, tendo uma vida de oração, entregando tudo nas mãos de Deus, na certeza que nada é impossível para Deus e, assim servirmos a Deus com humildade, amor e obediência.

Somente a glória de Deus. Amém.

Eli Vieira – Pastor efetivo da Igreja Presbiteriana Semear de Itabuna-BA.

Notas bibliográficas:

*Bibliografia: M’Cheyne, The Believer’s Joy; A. A. Bonar, Memoir and Remains of the Rev. Robert Murray M’CheyneSermons of Robert Murray M’Cheyne. Em 10/08/2023 https://www.monergismo.com/textos/biografias/robert_murray_kelly.htm

1-Daniel: Um Homem Fiel – site Agreste Presbiteriano, 24 de agos. de 2020, disponível em: https://agrestepresbiteriano.com.br/daniel-um-homem-fiel/

2- 3 atitudes do homem e da mulher de Deus – site IBVG, disponível em:  http://iebvg.org.br/?sermons=3-atitudes-do-homem-e-da-mulher-de-deus Acessado em 22 de maio de 2023. c2023 s.d.

3- Fox, John – O LIVRO DOS MÁRTIRES, Rio de Janeiro RJ, Brasil – CPAD 6ª 2004

4- L. González, Justo – Até aos Confins da Terra: Uma História Ilustrada do Cristianismo, vol. 1 A Era dos Mártires, São Paulo, SP – Ed. Vida Nova, 1989

5- Bíblia de Estudo NAA, Barueri, SP- Sociedade Bíblica do Brasil, 2018

RETIRO IP SEMEAR 2023

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