O Senhor dos Exércitos Está Conosco

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O Senhor dos Exércitos Está Conosco

1 Samuel  1.9-18

INTRODUÇÃO

Um dos títulos mais temíveis de nosso grande Deus é ” Senhor dos Exércitos“. Esse título é usado quase trezentas vezes nas Escrituras e é encontrado pela primeira vez em 1 Samuel 1:3. A designação ” Senhor dos Exércitos” descreve Deus como Senhor soberano das hostes de estrelas (Is 40:26), das hostes angelicais (S l 103:20, 21) e dos exércitos de Israel (Êx 12:41; Sl 46:7, 11). Em seu hino Castelo Forte, Martinho Lutero refere-se ao Senhor como o Deus que luta e vence a batalha.

A força do homem nada faz,
Sozinho está perdido!
Mas nosso Deus socorro traz
Em seu filho escolhido.
Sabeis quem é? Jesus,
O que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus,
E sendo o próprio Deus,
Triunfa na batalha.

A história do povo de Israel, conforme esta se encontra registrada na Bíblia, é uma demonstração viva de que o Senhor, de fato, triunfa na batalha e de que é soberano sobre todas as coisas. As pessoas e os acontecimentos registrados nas Escrituras são parte daquilo que os teólogos chamam de “história da salvação”, o plano bondoso de Deus de enviar ao mundo o Salvador para morrer pelos pecadores.

O Livro de Rute termina com o nome de Davi (Rt 4:22), e 1 Samuel conta a história da preparação bem-sucedida de Davi para reinar sobre Israel. Jesus Cristo, o “Filho de Davi”, nasceu na família de Davi. Os livros de Samuel, Reis e Crônicas registram uma porção de pecados e de fracassos do povo de Deus, mas também lembram que Deus está assentado no trono e, quando não lhe é permitido governar, ele prevalece sobre todas as coisas. Ele é o Senhor dos Exércitos, e seus propósitos serão cumpridos.

1 . DEUS DIRIGE A HISTÓRIA

É impossível ler os registros do passado sem ver a mão do ” Senhor dos Exércitos” operando nos acontecimentos que chamamos de história. O Senhor é mencionado —mais de sessenta vezes em 1 Samuel 1 – 3, pois ele é o ator principal desse drama. Os seres humanos têm liberdade de tomar as próprias decisões, sejam elas acertadas ou erradas, mas é Javé, o Senhor da história, que, em última análise, cumpre seus propósitos nas nações e por meio delas (At 14:15- 17; 17:24-26; Dn 4:25, 32). De fato, “nossa história é a história de Deus”, verdade que serve de grande encorajamento para o povo de Deus que sofre por sua fé. Porém, ao mesmo tempo, é uma advertência aos incrédulos que ignoram ou que se opõem à vontade de Deus, pois, no final, o Senhor dos Exércitos triunfará.

“Que são todas as histórias, senão Deus manifestando a si mesmo?”, perguntou Oliver Cromwell mais de três séculos atrás; mas nem todos concordam com ele. O historiador inglês Edward Gibbon, que escreveu Decline and Fali of the Roman Empire(Declínio e Queda do Império Romano) chamou a história de “pouco mais que um registro dos crimes, da insensatez e dos infortúnios da humanidade“, e seu contemporâneo, Lord Chersterfield, chamou a história de “um amontoado confuso de fatos“. Mas o Dr. A. T. Pierson, pregador e estadista missionário do século passado, expressou muito bem a realidade ao dizer que “nossa história é a história de Deus”. Trata-se de algo particularmente verdadeiro no que se refere à história registrada na Bíblia, pois nela Temos um relato inspirado da mão de Deus operando nos assuntos da humanidade, de modo a trazer ao mundo o Salvador.

No Livro de Juízes, “não havia rei era Israel”, e o texto descreve uma nação dominada pela anarquia. “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto” (Jz 17:6; ver também; 18:1; 19:1; 21:25). Israel não era mais um povo unido, como no tempo de Josué, sim uma confederação informal de tribos com juízes designados por Deus governando sobre áreas distantes umas das outras. Não havia um exército permanente nem líderes militares fixos. Homens de diferentes tribos se voluntariavam para defender a terra quando eram chamados para a batalha.

No entanto, é durante esses dias sombrios dos juízes que se desenrola a história registrada no Livro de Rute. Boaz casa com Rute, a moabita, e de sua união nasceu Obede, o pai de Jessé, que se tornou pai do rei Davi. Não havia rei em Israel, mas Deus estava trabalhando de modo a preparar o caminho para o seu servo escolhido (Sl 78:56-72). Se Juízes é o livro no qual “não há rei”, então 1 Samuel é o livro do “rei escolhido pelos homens”. O povo de Israel pediu um rei, e Deus lhes deu Saul, da tribo de Benjamim, e o reinado de Saul terminou em tremendo fracasso. Porém, o Senhor havia preparado Davi para o trono, e 2 Samuel é o livro do “rei escolhido por Deus”.

Samuel foi usado por Deus para trazer união num momento crítico da história de quando a frágil confederação de tribos precisava desesperadamente de orientação. Foi o último dos juízes (1 Sm 7:15-17; At “5:20) e o primeiro de uma nova linha de profetas depois de Moisés (3:24). Fundou escola de profetas e ungiu dois reis – Saul que fracassou, e Davi, que foi bem-sucedido. Numa época em que as eras se confrontavam e em que nada parecia firme, Samuel foi o líder espiritual da nação de Israel que ajudou a conduzi-la à unificação nacional e à reconsagração espiritual.

Aparentemente, na história humana, a ‘verdade está “sempre no cadafalso”, enquanto – a injustiça está “sempre no trono”, mas este não é o ponto de vista do céu. Ao estudar 1 Samuel, veremos claramente que Deus sempre no controle. Ao mesmo tempo ele é longânimo, misericordioso e responde às orações de seu povo, também é santo justo e castiga o pecado. Hoje em dia, vivemos um tempo de mudanças radicais em âmbito mundial, e a igreja precisa de líderes como Samuel, que ajudem o povo de Deus a entender onde estão, quem são e o que são chamados a fazer.

2 . DEUS RESPONDE A ORAÇÕES (1 SM 1 :1 – 2 8 )

No tempo dos juízes, os israelitas viram-se numa situação crítica, pois lhes faltava uma liderança temente a Deus. O sacerdócio estava corrompido, o Senhor não se comunicava constantemente com seu povo (3:1) e a lei de Moisés era ignorada por toda a terra. Como fez em várias outras ocasiões, Deus começou a resolver essa situação enviando um bebê. Os bebês são a forma de Deus anunciar que conhece as necessidades de seu povo, que se preocupa com ele e que está trabalhando para seu bem. A chegada de um bebê traz nova vida e novo começo; os bebês mostram o caminho para o futuro, e sua concepção e nascimento são milagres que só podem ser realizados por Deus (Gn 30:1, 2). Para tornar esse acontecimento ainda mais extraordinário, Deus por vezes escolhe mulheres estéreis para serem mães, como quando enviou Isaque a Sara, Jacó e Esaú a Rebeca e José a Raquel.

Um lar dividido (vv. 1-8). Elcana era um levita, um coatita da família de Zufe (1 Cr 6:22-28, 34, 35). Os levitas encontravam-se espalhados por toda a terra e, sempre que necessário, iam a Siló ministrar no tabernáculo. Elcana vivia em Ramá, na fronteira entre as tribos de Efraim e de Benjamim (ver Js 18:25). Samuel, o filho tão conhecido de Elcana, nasceu em Ramá (1 Sm 1:19, 20), onde viveu (1 Sm 7:1 7) e foi sepultado quando morreu (1 Sm 25:1).’

Em vários sentidos, Elcana dá a impressão de ser um homem bom e temente a Deus, exceto pelo fato de que tinha duas esposas. Ao que parece, Ana era sua primeira esposa e, ao ver que era estéril, Elcana casou-se com Penina para que pudesse ter uma família. Apesar de a bigamia e o divórcio não serem proibidos pela lei mosaica (Dt 21:15-17; 24:1-4), o plano original de Deus era que cada homem se casasse com uma só mulher para a vida toda (Mc 10:1-9).

Todos os anos, Elcana levava a família a Siló para adorar (Êx 23:14-19) e, juntos, comiam uma refeição que fazia parte da adoração (Dt 12:1-7). Essa visita anual ao tabernáculo deveria ser um acontecimento alegre para Ana, mas a cada ano Penina usava a viagem como uma oportunidade para irritar a rival e zombar de sua esterilidade. Ao distribuir a carne do sacrifício, Elcana precisava dar várias porções a Penina e a seus filhos, enquanto Ana recebia apenas uma porção. Elcana dava-lhe uma quantidade generosa, mas sem dúvida sua generosidade não compensava a infertilidade da esposa.

O nome “Ana” significa “mulher cheia de graça” e, sem dúvida, Ana demonstrava graça na maneira de lidar com sua esterilidade e com as atitudes e palavras cruéis de Penina. Elcana conseguiu ter filhos com Penina, de modo que Ana sabia que ela era o problema e não o marido. Ana também sabia que somente o Senhor poderia fazer por ela o que havia feito por Sara e Raquel, mas por que Deus havia lhe cerrado a madre? Sem dúvida, essa experiência ajudou a transformá-la numa mulher de caráter e de fé e a motivou a dar o melhor de si ao Senhor. Ela expressou sua angústia somente a Deus e não criou problemas na família discutindo com Penina. Em tudo o que disse e fez, Ana procurou glorificar ao Senhor. Sem dúvida, foi uma mulher notável que deu à luz um filho extraordinário.

Uma oração devota (vv. 9-18). Durante uma das refeições festivas em Siló, Ana deixou a família e foi ao tabernáculo orar. Havia sentido no coração que Deus desejava que orasse por um filho, uma criança que devolveria ao Senhor para servi-lo por toda a vida. É impressionante como, em termos humanos, o futuro de Israel dependia das orações dessa mulher piedosa. Na verdade, quanta coisa da história não dependeu das orações de pessoas que sofreram e que se sacrificaram, especialmente das orações de mães?

O primeiro tabernáculo era uma tenda cercada por divisórias de linho, mas, pela descrição do texto, vemos que, a essa altura, o santuário de Deus incluía algum tipo de estrutura de madeira com colunas (1:9) e portas (3:2,15), na qual havia lugar para dormir (3:1-3). O conjunto dessa estrutura com o tabernáculo era chamado de “Casa do Senhor” (1:7), “templo”, “tabernáculo da Congregação” e a “morada” de Deus (2:32). Era nesse lugar que o idoso sumo sacerdote Eli assentava-se no trono sacerdotal e supervisionava o ministério dos sacerdotes, e foi a esse local que Ana se dirigiu para orar. Seu desejo era pedir ao Senhor um filho e prometer-lhe que esse filho iria servi-lo todos os dias de sua vida.

Que exemplo de oração temos em Ana! Sua oração nasceu da tristeza e do sofrimento, mas apesar de seus sentimentos, derramou a alma perante o Senhor. Foi uma oração que envolveu submissão, pois se apresentou ao Senhor como uma serva disposta a fazer aquilo que ele desejasse (ver Lc 1:48). Sua oração também inclui sacrifício, pois fez um voto de devolver o filho ao Senhor para ser nazireu (Nm 6) e servir a Deus por toda a vida. Talvez tivesse sido mais fácil para ela continuar vivendo com sua esterilidade do que ter um filho por três anos e, depois, precisar renunciá-lo para sempre. Fico imaginando se Deus deu a Ana a convicção interior de que o filho exerceria papel marcante no futuro de Israel.

A fé e a devoção de Ana foram tão fortes que se elevaram acima da interpretação incorreta e da crítica do mais alto líder espiritual de sua nação. Ao entregar ao Senhor o que se tem de melhor, não é incomum receber críticas de quem deveria encorajá-lo. Moisés foi criticado pelo irmão e pela irmã (Nm 12), Davi pela esposa (2 Sm 6:12- 23) e Maria de Betânia por um apóstolo (Jo ‘2:1-8) e, no entanto, essas três pessoas receberam a aprovação do Senhor. Nos quatro primeiros capítulos de 1 Samuel, Eli é apresentado como péssimo exemplo de seguidor de Jeová e de sumo sacerdote. É provável que fosse um homem voltado aos próprios prazeres (4:18) e, sem dúvida, mostrou-se tolerante com relação aos pecados dos filhos (2:22-36). No entanto, também se apressou em julgar e em condenar a devoção de uma mulher temente a Deus. Nas palavras de John Bunyan: “E melhor orar de coração, mas sem palavras, do que orar com palavras, mas sem coração”. Ana orou de coração.

Os líderes do povo de Deus precisam de sensibilidade espiritual a fim de alegrar- se ‘com os que se alegram e

[chorar]

com os que choram” (Rm 12:15). Eli acusou Ana de haver bebido vinho demais quando, na verdade, o que ela estava fazendo era derramando a alma perante o Senhor em oração (1 Sm 1:15). Em cinco ocasiões, Ana referiu-se a si mesma como “serva”, indicando sua submissão ao Senhor e a seus servos. O texto não diz que Eli pediu perdão por julgá-la: Com tanta severidade, mas, pelo menos, deu-lhe sua bênção, e ela voltou para a festa com paz no coração e alegria no rosto. O fardo que pesava em seu coração havia sido retirado, e ela sabia que Deus havia respondido à sua oração.

Um filho ilustre (vv. 19-28). Quando os sacerdotes ofereceram o holocausto logo cedo na manhã seguinte, Elcana e a família estavam presentes para adorar a Deus, e é bem provável que a alma de Ana estivesse transbordando de alegria, pois ela havia oferecido um sacrifício vivo ao Senhor (Rm 12:1,2). Ao voltar para casa, Deus respondeu à oração de Ana e permitiu que ela concebesse e, quando a criança nasceu, Ana chamou o menino de Samuel. O termo hebraico sa-al quer dizer “pedido” e sama significa “ouvido”, enquanto el é um dos nomes de Deus, de modo que Samuel significa “ouvido por Deus” ou “pedido a Deus”. Ao longo de toda a sua vida, Samuel foi tanto uma resposta de oração como um grande homem de oração.

As mães israelitas costumavam desmamar os filhos aos 3 anos de idade e, sem dúvida, durante esses anos preciosos, Ana ensinou o filho e o preparou para servir ao Senhor. Foi só mais tarde, quando Deus lhe falou, que Samuel conheceu o Senhor pessoalmente (1 Sm 3:7-10). Ana era uma mulher de oração (1:27) e ensinou seu filho a orar.

Tendo em vista o estado precário da vida espiritual de Eli e os caminhos perversos de seus filhos, foi preciso que Elcana e Ana tivessem um bocado de fé para deixar o filho inocente sob os cuidados deles. Mas o Senhor estava com Samuel, tomando conta dele e preservando-o da corrupção a seu redor. Assim como Deus protegeu José no Egito, também protegeria Samuel em Siló, e é capaz de proteger nossos filhos e netos neste mundo perverso em que vivemos. O julgamento sobre Eli e sua família estava a caminho, mas Deus providenciaria para que Samuel guiasse a nação e conduzisse os israelitas a um novo estágio de seu desenvolvimento.

Até aqui, a história deixa claro que a vida e o futuro de uma nação dependem do caráter da família, e o caráter da família depende da vida espiritual dos pais. De acordo com um provérbio africano: “A ruína de uma nação começa nos lares de seu povo”; até mesmo Confúcio ensinou que “a força de uma nação nasce da integridade de suas famílias”. Eli e seus filhos tinham lares “religiosos” que, na verdade, eram ímpios, mas Elcana e Ana tinham um lar piedoso, que honrava ao Senhor, e lhe entregaram o que tinham de melhor.

O AVIVAMENTO NO PAÍS DE GALES 1903 E 1904

Uma Oração Incomum

Uma pessoa que teve uma parte importante no início do avivamento foi um evangelista presbiteriano, chamado Seth Joshua. Preocupado com a ênfase que era dada ao conhecimento acadêmico e com a falta de vida espiritual, ele começou a orar para que Deus mandasse um avivamento a Gales. Muitos anos depois, seu filho Peter contou como teve oportunidade de ouvir a oração do pai. Um dia, resolvi matar aula e fui para um parque para brincar. Chegando lá, vi meu pai andando no parque e escondi-me por trás dos arbustos. Quando ele se aproximou, fiquei assustado por ver que estava chorando (algo que achei que ele jamais faria). Ele estava dizendo: “Por favor, Deus, dá-me Gales”, e continuou repetindo essa súplica enquanto eu podia ouvi-lo. Porém, além de pedir um avivamento para Gales, Seth Joshua estava fazendo uma outra oração a Deus por algo bastante incomum. Ele estava pedindo  para que Deus levantasse um moço das minas de carvão ou dos campos de lavoura, não de Cambridge ou Oxford (assim como chamara a Eliseu enquanto lavrava a terra), para despertar o povo de Deus e levá-lo de volta à sua presença. Nem imaginava que ele mesmo teria um papel neste chamado. Em 1904, quando Evan Roberts estava estudando na escola preparatória, Seth Joshua foi pregar na igreja de Joseph Jenkins, em New Quay, onde Florrie Evans havia feito sua confissão e onde havia agora um grupo de  jovens avivados. O ambiente espiritual estava muito favorável, e Deus estava operando poderosamente em muitas vidas. As reuniões se prolongavam até mais de meia-noite. Numa das reuniões, depois de meia-noite, Seth tentou encerrar o culto com uma oração. Mas, durante a oração, o Espírito começou a agir novamente, e o povo não quis ir embora. Isso se repetiu por diversas vezes. Seth Joshua testemunhou depois que nunca antes vira tamanha manifestação do poder do Espírito. Depois disso, Seth foi para Newcastle Emlyn, para a escola preparatória, onde Evan Roberts estava. Eram todos jovens preparando-se para o ministério, mas o ambiente era frio e indiferente. Nas primeiras reuniões, Evan não estava presente porque estava doente. No terceiro dia, porém, um grupo de jovens de New Quay veio. Não houve pregação, somente cânticos, testemunhos e exortações. O fogo começou a arder, corações se derreteram e muitos começaram a pedir misericórdia de Deus por suas próprias vidas.

Duncan Campbell e as Ilhas Hébridas

O avivamento é nem mais nem menos que o impacto da personalidade de Jesus Cristo sobre uma igreja ou comunidade. A área inteira se torna consciente de Deus. – Duncan Campbell

As Ilhas Hébridas são pequenas ilhas que ficam a noroeste da Escócia, a maior das quais se chama “Lewis e Harris”.

O avivamento começou em 1949 quando duas irmãs, senhores de idade, Peggy e Christine Smith, começaram a orar por um avivamento. Elas acreditaram que Deus as deu a promessa de Isaías 44:3: “Porque derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca.”

No mesmo tempo, sem saber das irmãs Smith, setes homens tinham se comprometido a reunir-se três vezes na semana para orar por um avivamento. No seu livro “Bright and Shining Revival”

3 . DEUS RECEBE LOUVOR E ADORAÇÃO (1 SM 2 :1 – 1 1 )

Depois que Ana deixou o filho com Eli, poderia ter se retirado sozinha para algum lugar a fim de chorar desconsolada, mas, em vez disso, irrompeu num cântico de louvor ao Senhor. O mundo não entende a relação entre sacrifício e cântico; não compreende como o povo de Deus consegue cantar enquanto se dirige para o sacrifício e sacrificar com cânticos. “Em começando o holocausto, começou também o cântico ao Senhor ” (2 Cr 29:27). Antes de ir para o jardim onde seria preso, Jesus cantou um hino com seus discípulos (Mt 26:30); Paulo e Silas cantaram hinos ao Senhor depois de terem sido humilhados e açoitados (At 16:20-26). Nos Salmos, encontramos, em várias ocasiões, Davi louvando a Deus em meio a circunstâncias difíceis. Depois de açoitados pelos líderes religiosos em Jerusalém, os apóstolos “se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” (At 5:41).

O cântico de Ana, quase no início do Livro de 1 Samuel, deve ser comparado ao cântico de Davi, quase no final de 2 Samuel (22) e também com o cântico de Maria em Lucas 1:46-55. Esses três cânticos falam da graça imerecida do Senhor com seu povo, da vitória de Deus sobre o inimigo e da maneira maravilhosa de Deus fazer uma reviravolta nas coisas a fim de realizar seus propósitos. Aquilo que Maria expressou em seu cântico é especialmente parecido com o que Ana cantou em seu hino de louvor.

A alegria do Senhor (v. 1). Ana orava e se regozijava ao mesmo tempo! Pensava nas bênçãos de Deus sobre a nação bem como sobre si mesma e seu lar. A oração egoísta não é espiritual e não honra ao Senhor. Ana sabia, em seu coração, que Deus faria grandes coisas por seu povo e que seu filho teria importante papel no cumprimento da vontade de Deus. Sua adoração veio de um coração repleto da alegria do Senhor.

No original, o termo “força”, nos versículos 1 e 10, aparece como “chifre”, uma representação de força ou de pessoa forte (ver Sl 75:4, 5, 10; 89:1 7, 24; 92:10; 132:17). Ter sua “força exaltada” significa receber forças de Deus e ser ajudado por ele de maneira especial durante um tempo de crise. Ter uma “boca que se ri” é uma referência a gloriar-se com a vitória de Deus sobre os inimigos. Um povo derrotado deve calar-se, mas aqueles que participam da vitória de Deus têm o que dizer para a glória do Senhor.

A expressão “Alegro-me na tua salvação” não indica apenas que Ana foi liberta de sua infertilidade. Ana considera esse milagre o começo de novas vitórias para Israel, que havia sido repetidamente invadido, derrotado e abusado por seus inimigos (Jz 2:10-23).

A majestade do Senhor (vv. 2, 3). É bom começar as orações com louvores, pois o louvor ajuda a concentrar-se na glória do Senhor e não no tamanho das necessidades. Quando contemplamos a grandeza de Deus, começamos a ver a vida de outra perspectiva. Ana conhecia o caráter de Deus e exaltou seus atributos gloriosos. Começou declarando a santidade e a singularidade do Senhor. Esses dois atributos andam juntos, pois tanto no hebraico quanto no grego, o termo “santo” significa “inteiramente outro, reservado, separado”. Os judeus ortodoxos confessam diariamente: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor ” (Dt 6:4). Não há outro Deus, e sempre que Israel se voltava para os ídolos em busca de ajuda, perdia as bênçãos do Senhor.

A “Rocha” é uma imagem do Senhor que repete nas Escrituras. Pode ser encontrada no “Cântico de Moisés” (Dt 32:4, 15, 18, 30, 31, 3 7) e no cântico de Davi (2 Sm 22:32). É uma referência à força, à estabilidade e à constância e engrandece o fato de que Deus não muda, Podemos depender do Senhor, pois seu caráter é imutável e suas promessas nunca falham. “Porque eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3:6).

O Senhor pesa nossas motivações (Pv 16:2) e nosso coração (Pv 24:11, 12), e suas balanças são precisas. Assim como aconteceu com Ana, pode ser que outros nos entendam mal ou tenham pensamentos malignos sobre nós, mas o Senhor sempre agirá com justiça.

A graça do Senhor (vv. 4-8a). Deus é santo, justo e sempre fiel a sua Palavra e a seu caráter. Mas também é cheio de misericórdia e de graça, e com frequência faz coisas que nos surpreendem. Ana descreveu alguns atos do Senhor e afirmou que ele virava tudo de cabeça para baixo! O “Cântico de Maria” (Magnificat), em Lucas 1:46-55, expressa algumas dessas mesmas verdades.

Guerreiros poderosos caem, enquanto fracos e cambaleantes vencem a batalha (1 Sm 2:4; ver Ec 9:11). Os ricos, antes fartos, buscam algo para comer e estão dispostos a trabalhar por sua comida, enquanto os pobres e famintos têm alimento em abundância (1 Sm 2:5a). A mulher estéril dá à luz sete filhos, enquanto a mulher com muitos filhos se vê exausta e enfraquecida e sequer consegue desfrutar sua família (v. 5b). A verdade dessa declaração reflete-se no fato de Ana ter dado à luz mais cinco filhos (v. 21).

Por ser soberano, o Senhor controla a vida e a morte e tudo o que acontece entre o começo e o fim (v. 6). E capaz tanto de nos resgatar da cova como de permitir que morramos. Se permitir que vivamos, pode nos tornar ricos ou pobres, exaltados ou humilhados, pois ele sabe o que é melhor. Isso não significa que as pessoas devam conformar-se mansamente com as circunstâncias difíceis da vida sem tomar qualquer atitude, mas sim que não podemos mudar essas circunstâncias sem a ajuda do Senhor (Dt 8:18). Em sua graça, Deus pode escolher os pobres e exaltá-los, de modo que se assentem entre os príncipes (ver Sl 113:7, 8 e Lc 1:52). Ele os tira do pó e do monturo e os coloca em tronos gloriosos! Não foi isso o que Deus fez por Jesus (Fp 2:1-10) e que Jesus fez por nós quando nos salvou (Ef 2:1- 10)? De fato, por causa da cruz, o Senhor “tem transtornado o mundo” (At 1 7:6), e só possuem visão clara e valores verdadeiros os que crêem em Jesus.

A proteção do Senhor (w . 8b-10a). Deus estabeleceu o mundo de modo que não se movesse do lugar, e aquilo que acontece em nosso planeta está sob os cuidados atenciosos do Criador.5 Podemos pensar que Deus abandonou a Terra nas mãos de Satanás e de seus poderes demoníacos, mas este mundo ainda pertence a nosso Pai (Sl 24:1, 2), e ele colocou seu Rei no trono celestial (Sl 2:7- 9). Enquanto o povo de Deus caminhar sobre a Terra e andar na luz, o Senhor os guardará e conduzirá seus passos, mas os perversos caminham na escuridão espiritual, pois dependem da própria sabedoria e força.

O reino do Senhor (v. 10b). Trata-se de uma declaração extraordinária de que o Senhor dará um rei ungido a Israel e de que o fortalecerá para que sirva a Deus e à nação. Sem dúvida, Ana conhecia a lei de Moisés, pois nela encontrou as promessas de um futuro rei. Deus disse a Abraão e a Sara que haveria reis entre seus descendentes (Gn 17:6,16) e repetiu essa promessa a Jacó (35:11). Nas últimas palavras que proferiu aos filhos, Jacó anunciou que Judá seria a tribo real (49:10); em Deuteronômio 17:14-20, Moisés deu instruções com referência a um futuro rei. Quando Israel pediu um rei, Deus estava preparado para conceder-lhes esse pedido. Em vários sentidos, o rei Davi cumpriu essa profecia, mas seu cumprimento absoluto encontra-se em Jesus Cristo (“o Ungido”), que, um dia, se assentará no trono de Davi e governará sobre seu reino glorioso (Lc 1:32, 33, 69-75).

Ana e Elcana deixaram o filho em Siló e voltaram para Ramá com o coração alegre e cheio de expectativa quanto ao que o Senhor faria. Que coisa maravilhosa quando o casal é consagrado ao Senhor, adorando juntos e crendo em sua Palavra. Ana foi ao lugar de adoração com o coração quebrantado, mas o Senhor lhe deu paz, pois ela orou e se sujeitou a sua vontade.

Autores W.W e EVF

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