PASTORES SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

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PASTORES SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

Rebuscar o acervo de contribuições da teologia reformada ao ministério pastoral pode ser altamente compensador. Em uma dessas atividades deparei-me com uma pérola de grande valor. Trata-se de um sermão pregado pelo puritano John Shaw (1708-1791) sobre o texto de Jeremias 3.15 que diz: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência”. Essa mensagem foi pregada durante uma cerimônia de ordenação ministerial no dia 26 de agosto de 1725. Os princípios expostos por aquele pregador são relevantes não apenas para aqueles que estão ingressando no ministério sagrado, mas também para todos os interessados em uma revitalização do ministério pastoral.

Em sua exposição sobre o assunto, John Shaw indicou dez princípios pelos quais se poderia reconhecer o caráter de um pastor segundo o coração de Deus. Devido à objetividade e concisão do presente artigo, resumiremos aqueles princípios em quatro pontos básicos.

Em primeiro lugar, esses pastores são novas criaturas em Cristo, pois a não ser que eles tenham sido regenerados serão sempre impróprios para o ministério da Palavra. Nesse sentido, Shaw enfatiza que “raposas e lobos não são instrumentos naturais para se gerar ovelhas”. Após terem sido convertidos, eles foram vocacionados para o sagrado ministério, pois “ninguém toma esta honra para si mesmo” (Hb 5.4).

Em segundo lugar, esses ministros são comprometidos com uma vida de santidade. Eles evitam o envolvimento desnecessário nos negócios dessa vida, pois o objetivo do bom soldado de Cristo é satisfazer aquele que o arregimentou (2Tm 2.4). Em sua exortação, Shaw salientava que “a vida de um ministro é a vida do seu ministério e os pecados dos mestres são mestres de pecados”.

Em terceiro lugar, pastores segundo o coração de Deus são homens que zelam pelo sábio proceder. O texto de Jeremias ensina que esses pastores apascentam com entendimento e com inteligência. E, como parte do ministério pastoral envolve a instrução e o ensino, não só através de palavras, mas também de exemplo de vida, o sábio proceder é uma exigência para um ministério divinamente aprovado.

Finalmente, esses ministros são homens zelosos pela vida de oração. O modelo para um ministério segundo o coração de Deus foi estabelecido pelo próprio Jesus, que deixou exemplo para que os seus discípulos sigam os seus passos (Jo 13.15 e 1Pe 2.21). Sendo que o próprio Filho de Deus não negligenciou a vida de oração em seu ministério terreno, a sabedoria e a prudência apontam para essa prática como uma necessidade vital no ministério sagrado.

A relevância dos argumentos acima reside no fato de que eles foram alicerçados na Palavra viva de Deus. Ninguém que almeja vivificação em seu ministério deveria desprezá-los.

Rev. Valdeci da Silva Santos – SNAP

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