PERPÉTUA E FELICIDADE – SENHORA E ESCRAVA, MÁRTIRES POR CRISTO!

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Perpétua e Felicidade, especialmente, marcaram a memória da Igreja Cristã, porque seus sentimentos, reflexões e angústias foram registrados em diários escritos por Perpétua durante a prisão. Perpétua era nobre, de família aristocrática, seu pai esperava que sua filha cuidasse dele e se casasse, honrando, assim, o nome da família. Eram essas as expectativas quanto às filhas naquela sociedade romana. Contudo, Perpétua, em nome da fé, posiciona-se contra as tradições familiares. Já presa, seu pai vai visitá-la, buscando dissuadi-la daquela postura, mas seus apelos são em vão. Em seus diários, ela narra que, diante de sua resoluta decisão, seu pai a espancou ali mesmo, avançando sobre ela. “Ele avançou contra mim, como se fosse me arrancar os olhos”, escreve a jovem. Nem isso a fez retornar. “Você nos destruirá a todos nós”, bradava seu pai contra ela. “Pai, como se chama esta vasilha que há aí na frente?”, indagou Perpétua. “Uma bandeja”, ele respondeu. “Pois bem, essa vasilha deve ser chamada de bandeja, e não de pote ou colher, porque é uma bandeja. E eu que sou cristã, não posso me chamar pagã, nem de nenhuma outra religião, porque sou cristã e o quero ser para sempre”.

Aquela jovem de apenas 22 anos de idade havia tido um filho recentemente e seu pai vê nisso uma oportunidade de mudar a decisão de sua filha. Ele ameaça não trazer a criança para que Perpétua a pudesse amamentar, mas os rogos e apelos para que seu pai não entregasse seu filho à morte, finalmente surtem efeito e essa criança é trazida à prisão para que ela a pudesse amamentar. “Desde que tive meu pequenino junto de mim, aquilo não me parecia uma prisão, mas um palácio, e me sentia cheia de alegria. E o menino também recobrou sua alegria e seu vigor”, escreveu a jovem mãe.

Contudo, nem a maternidade foi usada por Perpétua como algo a se colocar entre ela e Jesus. Isso marcou um dos instrumentos de tortura usados contra ela. Além de quebrar a tradição familiar, essa aparente rejeição da maternidade – pois ela entrega seu bebê aos cuidados de sua mãe – é um escândalo para a sociedade romana de seu tempo, que a leva à arena para ser pisoteada por uma vaca. As vacas selvagens eram para os romanos como símbolo de um estado natural caído, pois as vacas leiteiras eram aquelas que, ao contrário, não rejeitavam amamentar seus filhos. Os romanos viam em Perpétua uma mulher igual a uma vaca selvagem, renegando sua missão e retornando à natureza vil. Mas Perpétua não estava sozinha naquela arena. A seguia sua escrava, Felicidade que, quando presa, estava grávida de oito meses. Felicidade temia que, ao serem ambas condenadas às feras, ela não pudesse acompanhar sua senhora, por causa da gestação. Todavia três dias antes de serem mandadas à arena, Felicidade deu à luz uma menina que foi adotada por uma mulher cristã.

O diário de Perpétua foi escrito até o último dia de vida dela. E foi na prisão que as duas foram batizadas, sustentando, diante de todos, uma vida de oração e testemunho. Pouco se sabe sobre o marido de Perpétua, mas, provavelmente, era um romano pagão que, diante da postura tomada por sua esposa, afastou-se para não ser condenado com ela. O que é certo é que elas abriram mão de uma vida estável e de conforto e segurança num lar, com suas famílias, e decidiram morrer por Cristo. Os pontos controversos da vida da jovem Perpétua se devem às descrições de sonhos e revelações em seus diários, mas não podemos esquecer as pressões terríveis e o abuso psicológico que ela sofreu.

As cenas finais de seu martírio constituem uma das peças mais terríveis da História da Igreja Cristã. Os testemunhos dados sobre aquele dia narram que os homens foram mortos primeiro, pelo ataque de leopardos na arena. E Perpétua e Felicidade, pisoteadas pelas vacas selvagens, cobriam seus corpos, tentando esconder a nudez e o leite que se derramava dos seios das duas, pisoteadas diante de um público sádico e violento. Ambas morreram decapitadas. Esse foi o pedido do povo que se encontrava ali, quando soube que elas haviam sobrevivido ao ataque das vacas selvagens. Duas mulheres, duas realidades sociais tão diferentes, mas unidas na nova vida em Cristo e no martírio pelo Evangelho.

Rev. Fábio Ribas

Fonte: https://apmt.org.br/perpetua-e-felicidade-senhora-e-escrava-martires-por-cristo/

RETIRO IP SEMEAR 2023

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