UMA RETROSPECTIVA PARA VIDA

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Deuteronômio 1-3

Um professor de jornalismo ensinava aos seus alunos que o primeiro parágrafo de toda reportagem deve informar os leitores “quem, o que, onde, quando e por que” sobre o acontecimento que está sendo relatado.

Deuteronômio 1:1-5 não é uma reportagem, mas apresenta exatamente essas informações. O povo de Israel encontra-se em Cades-Barneia no quadragésimo ano depois de sua libertação do Egito, e seu líder, Moisés, está prestes a expor a lei de Deus e a preparar a nova geração para entrar em Canaã. O próprio Moisés não entraria na terra, mas ainda assim explicaria ao povo o que devia fazer para conquistar o inimigo, apropriar-se de sua herança prometida e ter uma vida bem-sucedida em seu novo lar para a glória de Deus.

Deus estava dando a seu povo uma segunda chance, e Moisés não queria que a nova geração fracassasse como havia acontecido com seus pais. Israel deveria ter entrado em Canaã trinta e oito anos antes (Dt 2:14), mas, em sua incredulidade, o povo rebelou-se contra Deus. O Senhor condenou-os a vagar pelo deserto até que a geração mais velha morresse, com exceção de Josué e de Calebe (Nm 13 – 14). O filósofo George Santayana escreveu: “Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo”, de modo que a primeira coisa que Moisés fez em seu discurso de despedida foi dar uma retrospectiva do passado de Israel e lembrar a nova geração de quem eles eram e de como haviam chegado onde estavam (Dt 1 – 5). Sabendo de seu passado, a nova geração de Israel podia evitar de repetir os pecados de seus pais.

1. A MARCHA DE ISRAEL (Dt 1:6-18) E importante que toda geração tenha uma compreensão da história, pois isso lhe dá um senso de identidade. Se você sabe quem é e de onde veio, terá mais facilidade em descobrir o que deve fazer. Uma geração sem identidade é como uma pessoa sem certidão de nascimento, sem nome, sem endereço e sem família. Se não conhecemos nossas raízes históricas, podemos ficar como folhas ao vento sopradas de um lado para o outro sem chegar a lugar algum.

Um pai levou o filho ao museu da cidade para ajudar o menino a compreender melhor como era a vida antes de ele nascer. Depois de olhar, meio mal-humorado, alguns objetos expostos, por fim o menino disse:

— Pai, vamos a algum lugar onde as pessoas são reais.

Assim como aquele menino entediado, muitas pessoas acreditam que o passado é irreal ou irrelevante e que não tem qualquer relação com a vida de hoje e, assim como o menino, estão erradas. O cínico diz que a única coisa que aprendemos com a história é que não aprendemos com a história, mas o cristão maduro sabe que A. T. Pierson estava certo quando disse: “A história humana é a história de Deus”. A Bíblia não é um museu entediante em que tudo está morto. E uma obra dramática e viva que nos ensina sobre Deus e nos encoraja a lhe obedecer e a desfrutar suas bênçãos (Rm 1 5:4; 1 Co 1 0:1-1 2). Não há livro mais contemporâneo do que a Bíblia, e a cada nova geração precisa aprender essa lição importante.

Israel no Sinai (w. 6-8; ver Nm 1:1 – 10:10). Depois de deixar o Egito, o povo marchou para o monte Sinai, chegando lá no décimo quinto dia do terceiro mês (Êx 19:1), e lá o Senhor revelou-se em poder e glória. Entregou a lei a Moisés, que a transmitiu para o povo, e os israelitas aceitaram os termos do contrato. O povo de Israel saiu do Sinai no vigésimo dia do segundo mês, no segundo ano depois do êxodo (Nm 10:11), o que significa que ficaram no Sinai pouco menos de um ano. Enquanto a nação estava acampada no Sinai, o tabernáculo foi construído, e os sacerdotes e levitas foram consagrados para servir ao Senhor.

Por que o Senhor fez com que Israel demorasse tanto no Sinai? Queria lhes dar sua lei e ensiná-los a adorar. O Senhor não deu a Israel sua lei para salvar o povo de seus pecados, pois “por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2:16). Assim como os pecadores de hoje, as pessoas na antiga aliança eram salvas pela fé (Rm 4:1-12; Gl 3:22; Hb 11). A lei revelava a pecaminosidade do homem e a santidade de Deus. Ela explicava as condições de Deus para que seu povo o adorasse e desfrutasse sua bênção.

Sabendo das guerras e dos perigos que os esperavam, é possível que muitos israelitas tivessem se contentado em ficar no monte Sinai, mas o Senhor ordenou que prosseguissem em sua jornada. Deus não apenas deu essa ordem como também os encorajou dizendo: “Eis aqui a terra que eu pus diante de vós” (Dt 1:8). Ele prometeu manter a aliança que havia feito com os patriarcas, para os quais, em sua graça, havia prometido a terra de Canaã(Gn 13:14-18; 15:7-21; 17:8; 28:12- 15; Êx 3:8). Tudo o que o exército de Israel precisava fazer era seguir as ordens de Deus, e o Senhor lhes daria vitória sobre seus inimigos em Canaã.

Israel a caminho de Cades-Barneia (w. 9 18; Nm 10:11 – 12:16). Não foi fácil para Moisés liderar essa grande nação, pois, com frequência, teve de resolver problemas e de ouvir as queixas do povo. Habituados com o conforto do acampamento no Sinai, os israelitas ressentiram-se das dificuldades de sua jornada para a terra prometida. Esqueceram- se do sofrimento de seus anos de escravidão no Egito e chegaram até a querer voltar para lá! Acostumaram-se com o maná que Deus lhes mandava do céu a cada manhã e logo deixaram de apreciá-lo, desejando as carnes e legumes que gostavam de comer quando estavam no Egito. Não é de se admirar que Moisés tenha ficado desanimado e clamado ao Senhor! Quis desistir e até pediu que Deus lhe tirasse a vida! (Nm 11:15).

A resposta de Deus à oração de Moisés foi dar-lhe setenta anciãos para assisti-lo na administração das questões operacionais do acampamento. Moisés era um grande líder e um homem espiritual, mas também tinha limites. Ele e os anciãos organizaram a nação em grupos de mil, de cem, de cinquenta e de dez, deixando cada divisão ao encargo de líderes competentes.

A ordem de Moisés aos líderes recém-nomeados deve ser ouvida por todos que se encontram numa posição de autoridade, quer seja no meio religioso, quer no secular (Dt 1:16-18). Suas palavras enfatizam o caráter e a justiça, bem como a consciência de que Deus é a autoridade e juiz supremo. Por toda a lei de Moisés, encontramos uma ênfase sobre a justiça e sobre a demonstração de bondade e de imparcialidade para com os pobres em geral e especificamente para com as viúvas, os órfãos e os estrangeiros na terra (Êx 22:21- 24; Lv 19:9, 10; Dt 14:28, 29; 16:9-12; 24:1721). Em várias ocasiões, os profetas bradaram contra os ricos latifundiários por estarem abusando dos pobres e desamparados da terra (Is 1:23-25; 10:1-3; Jr 7:1-6; 22:3; Am 2:6, 7; 5:11; Zc 7:8). “O que oprime ao pobre insulta aquele que o criou” (Pv 14:31).

2. A REBELDIA DE ISRAEL (Dt 1:19-46; Nm 13 – 14) Cades-Barneia era a passagem para a terra prometida, mas, por causa do medo e da incredulidade, Israel não entrou na terra. Deixou-se levar pelas aparências em vez de agir

pela fé nas promessas de Deus. Moisés lhes disse: “Eis que o Senhor, teu Deus, te colocou esta terra diante de ti: Sobe, possui-a […]. Não temas e não te assustes” (Dt 1:21). Sem dúvida, ter fé não é crer apesar das aparências – isso é superstição -, mas sim obedecer apesar das circunstâncias e consequências. Deus sempre capacita seu povo a cumprir suas ordens e a alcançar a vitória; tudo o que os israelitas precisavam fazer era confiar e obedecer.

Sondando a terra (vv. 22-25; Nm 13). O primeiro indício de que os israelitas estavam vacilando em sua fé foi seu pedido para que Moisés nomeasse uma comissão para sondar a terra. Assim, Israel saberia das condições da região e poderia preparar melhor um plano de ataque. Essa é a abordagem que qualquer exército usaria – chamada de “reconhecimento” -, mas Israel não era “qualquer exército”. Era o exército de Deus, e o Senhor já havia feito o “reconhecimento” da terra para eles.

Quando Moisés conversou com Deus sobre a sugestão do povo, em sua bondade, o Senhor deu a Moisés permissão para atender ao pedido dos israelitas (Nm 13:1). Deus sabe como somos fracos, de modo que, por vezes, ele se adapta a nossa condição (Sl 103:13, 14, Jz 6:36-40). O caminho mais seguro a seguir é fazer a vontade expressa de Deus, pois o Senhor nunca erra. Às vezes, nossos desejos e as concessões de Deus resultam em disciplina dolorosa.

Rejeitando a terra (w. 26-40). No entanto, os espias acrescentaram sua opinião ao relato, dizendo que Israel não era capaz de conquistar Canaã, pois as cidades eram protegidas por muralhas altas e havia gigantes na terra. A minoria (Josué e Calebe) afirmou, com ousadia, que o Senhor era capaz de dar a vitória a seu povo, pois era maior que o inimigo. Infelizmente, a nação seguiu a maioria, ficando desanimada e ainda mais assustada. Moisés disse duas vezes que não temessem (Dt 1:21, 29), mas suas palavras caíram em ouvidos moucos. Em vez de entoarem seu cântico de vitória e de marcharem adiante pela fé (Nm 10:35), os líderes e o povo sentaram-se em suas tendas murmurando, chorando e planejando voltar para o Egito. A nação inteira, com exceção de quatro homens – Moisés, Arão, Josué e Calebe (Dt 14:5, 6) -, rebelou-se contra o Senhor e não se apropriou da terra que Deus havia lhe prometido. O Senhor os tirou do Egito, mas não pôde fazê-los entrar em Canaã!

O que levou Israel a fracassar em Cades-Barneia? “Esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara. […] não se lembraram do poder dele” (Sl 78:11, 42). Deus havia demonstrado seu grande poder ao enviar as pragas sobre o Egito e ao abrir o mar Vermelho para que Israel pudesse escapar e, no entanto, nenhuma dessas maravilhas havia ficado registrada na mente e no coração de seu povo. Se as bênçãos de Deus não trouxerem humildade a nosso coração e não nos levarem a confiar mais no Senhor, então endurecerão nosso coração e enfraquecerão nossa fé. Há uma diferença entre incredulidade e dúvida. A incredulidade é uma decisão que leva a pessoas a se rebelar contra Deus e a dizer: “Não importa o que Senhor disser ou fizer, não vou crer nem obedecer!” A dúvida, porém, refere-se ao coração e às emoções e é o que a pessoa sente quando oscila entre o medo e a fé (Mt 14:31; Tg 1:5-8). Aquele que duvida diz: “Senhor, eu creio. Ajuda-me na minha falta de fé!” Deus quer dar coragem àqueles que duvidam e ajudá-los a crer. Quanto aos rebeldes, porém, tudo o que pode fazer é julgá-los. Em Cades Deus decretou que a nação iria vagar durante trinta e oito anos (já haviam passado dois anos no deserto) até que todas as pessoas com vinte anos para cima tivessem morrido.

Atacando o inimigo (vv. 40-46; Nm 14:40-45). Quando os israelitas ouviram a declaração do juízo de Deus, tentaram desfazer seu pecado, mas só pioraram as coisas. “Havemos pecado!”, disse o povo, mas suas palavras não passaram de uma confissão superficial que, na verdade, significava “Lamentamos as consequências de nosso pecado”. Não foi um arrependimento verdadeiro, mas apenas remorso. Em seguida, tentaram atacar alguns habitantes da terra, mas sua investida fracassou, e Deus permitiu que sofressem uma derrota humilhante (Dt 1:41-46). Afinal, o Senhor não estava com eles e não havia ordenado que lutassem. A nação não ouviu a voz de Deus, de modo que Deus também não deu ouvidos à voz deles.

Calebe e Josué creram em Deus e, portanto, o Senhor declarou que eles sobreviveriam à jornada pelo deserto e entrariam na terra prometida. Contudo, mais tarde, Moisés e Arão se rebelaram contra o Senhor e também não puderam entrar na terra (v. 37; Nm 20:1-13, 24). Quando Deus instruiu Moisés para que fizesse surgir água apenas falando à rocha, Moisés feriu a rocha e disse: “Ouvi, agora, rebeldes: porventura faremos sair água para vós outros desta rocha?” (Nm 20:10). Por não crer em Deus nem glorificá-lo, Moisés perdeu o privilégio de liderar a entrada de Israel em Canaã. Moisés não pecou por duvidar, mas por desobedecer a Deus e por exaltar a si mesmo.

Até os maiores líderes espirituais não passam de frágeis seres humanos separados da graça de Deus, e muitos deles fracassam justamente em seus pontos mais fortes. A maior força de Moisés era sua mansidão, mas ele perdeu a calma. Abraão é conhecido por sua grande fé e, no entanto, num momento de provação, fugiu para o Egito e mentiu sobre a esposa. A grande força de Davi era sua integridade (Sl 78:72), mas ele falhou terrivelmente e tornou-se mentiroso e hipócrita. O ponto mais forte de Pedro era sua coragem e, no entanto, por três vezes ele se amedrontou e negou o Senhor. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (1 Co 10:12).

3. AS CONQUISTAS DE ISRAEL ( Dt 2:1- 3:20) Este é um resumo do relato apresentado em Números 20:14 – 31:54, que descreve o povo de Israel derrotando nações e reis em sua marcha rumo à terra prometida. Neste discurso, Moisés não dá detalhes das experiências de Israel durante os trinta e oito anos que passou vagando pelo deserto. Depois que Josué conduziu a nação até o outro lado do rio Jordão, cuidou dessas obrigações, e Israel voltou a ter as bênçãos da aliança (Js 5). Aqueles da congregação de Moisés que tinham dezenove anos quando o povo começou a vagar pelo deserto estavam com cinquenta e sete anos (19 + 38) e, sem dúvida, se lembravam dos anos difíceis e falavam deles a seus filhos e netos.

Evitando os edomitas (2:1-8; Nm 20:1421). Deus havia ordenado a Moisés que não declarasse guerra contra o povo de Edom nem tentasse tomar suas terras. Os edomitas eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó, portanto parentes dos israelitas (Gn 36). Primeiramente, Moisés tentou uma abordagem amigável, mas os edomitas não aceitaram de modo algum seus irmãos, de modo que Moisés conduziu o povo por outro caminho, que passava pelo monte Seir. Os edomitas deveriam ter mostrado amor fraternal aos israelitas, mas, em vez disso, preferiram perpetuar o antigo conflito familiar entre Jacó e Esaú. (Gn 27; 32 – 33). Séculos depois, Edom ainda estava irado com Israel e alegrou-se quando os babilônios destruíram Jerusalém (Sl 137:7; Ez 25:12-14; Am 1:11; Ob 10 -13).

De todos os problemas que enfrentamos na vida, é provável que os desentendimentos familiares sejam os mais dolorosos e difíceis de resolver e, no entanto, a Bíblia relata muitos desses conflitos. Até mesmo na igreja local, irmãos e irmãs em Cristo nem sempre demonstram amor uns pelos outros. A igreja de Corinto havia se dividido em quatro (1 Co 1:12); os cristãos da Galácia mordiam e devoravam uns aos outros (Gl 5:15); os cristãos de Éfeso precisavam ser amáveis e perdoar uns aos outros (Ef 4:31, 32), e na igreja filipense havia duas mulheres que não se entendiam (Fp 4:2, 3). Pelo menos, as brigas de família e desavenças na igreja ocorrem num âmbito mais limitado. No entanto, muitas pessoas inocentes sofrem quando nações inteiras cultivam e encorajam o ódio umas contra outras e fazem guerras.

Moisés fez a coisa certa ao obedecer à ordem de Deus e ao ter o cuidado de evitar um confronto que custaria caro e que não seria de proveito algum. “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9).

E importante observar ainda outro fator dessa “pacificação”: em sua graça, Deus havia cuidado de Israel e abençoado seu povo durante os anos em que vagaram pelo deserto, de modo que não tinham necessidade alguma de atacar nem de explorar os irmãos (Dt 2:7). Deus daria a Israel toda a terra de que necessitava sem que precisasse guerrear. Se mais indivíduos, famílias e nações se contentassem com as bênçãos recebidas de Deus, haveria muito menos conflitos entre elas.

Evitando os moabitas e amonitas 2:9-23). Assim como os edomitas não foram atacados nem conquistados por serem parentes de Jacó, também os moabitas e amonitas foram poupados, pois eram descendentes de Ló, o sobrinho de Abraão (Gn 19:30-38). Deus tem autoridade suprema sobre todas as nações e distribui seus territórios segundo sua vontade soberana (At 17:26-28; 2 Cr 20:6).

Ao atravessar o vale de Zerede, os israelitas estavam num ponte crítico de sua história, pois já não havia mais ninguém da geração mais velha, exceto Moisés, Calebe e Josué (Dt 2:13-16).

Derrotando os amorreus (2:24 – 3:11). Seom e Ogue eram reis poderosos da região dos amorreus, do lado leste do Jordão, e o Senhor havia decidido destruí-los e a seu povo. As ordens de Deus em Deuteronômio 2:24, 25 e 31 resumem o padrão que Israel seguiria em sua conquista da Terra Prometida. Deus dizia a Josué qual cidade ou povo atacar; dava aos israelitas a certeza da vitória e, depois, ia com eles para ajudá-los a ganhar a batalha. A derrota de Seom e de Ogue por Israel foi especialmente importante, pois serviria de mensagem para as outras nações em Canaã e encheria de medo o coração desses povos (Dt 11:25). Quando Josué estava pronto para entrar na terra, o povo de Deus já era precedido da fama de sua marcha invencível (Js 2:8-11; ver Êx 15:14-16).

O fato de as cidades terem muralhas altas (Dt 3:5) e de Ogue ser um gigante (v. 11) não parece ter causado os problemas tão temidos pela geração mais velha (Nm 13:28). Deus é maior que as muralhas e mais poderoso que os gigantes!

Não faltava a esses povos o testemunho de Deus por meio da criação (Rm 1:18ss) bem como por meio da vida de Abraão, Isaque e Jacó, que viveram em Canaã.

4. ISRAEL SE PREPARA (Dt 3:12-29) As vitórias sobre Seom e Ogue, os dois reis poderosos das terras a leste do Jordão, foram, em si, uma preparação para as batalhas que Israel teria ao chegar a Canaã. A geração mais nova estava tendo suas primeiras experiências de combate e aprendendo rapidamente que podia confiar em Jeová para conquistar todos os inimigos. Tudo o que o exército precisava fazer era obedecer às ordens de Deus, crer em suas promessas e enfrentar bravamente o inimigo.

O segundo passo da preparação para a conquista foi o assentamento das duas tribos e meia no território capturado a leste do Jordão. Essa terra foi dada às tribos de Rúben e de Gade e à meia tribo de Manassés. Elas pediram esse território especificamente porque se dedicavam à criação de rebanhos, e a região era propícia para essa atividade (Nm 32). O fato de Moisés dar-lhes a terra e de os homens estarem dispostos a deixar seus entes queridos para trás foi a prova de sua fé em que Deus daria a vitória a Israel em Canaã.

O terceiro passo da preparação para a conquista foi a nomeação de Josué para suceder Moisés e liderar a nação até Canaã (Nm 27:18-23). Seguindo as ordens do Senhor, Moisés impôs as mãos publicamente sobre Josué e, com a ajuda de Eleazar, o sumo sacerdote, consagrou-o para seu novo cargo. Moisés também começou a transferir parte de suas responsabilidades a Josué (Nm 27:20), de modo que, quando Moisés saiu de cena, Josué estava pronto a assumir todas as suas incumbências. Josué, porém, era um homem de grande fé e experiência, plenamente qualificado para liderar o povo de Deus. Fora servo de Moisés (Êx 33:11) e líder militar (Êx 17:8-16) e havia estado no Sinai com Moisés (Êx 24:13).

A única coisa que obscureceu o brilho dessa comemoração de vitória foi o fato de Moisés não ter permissão para entrar na Terra Prometida devido a seu pecado impetuoso ao ferir a rocha em Meribá (Nm 20:1-13; 27:12-14). Contudo, mesmo esse tom de tristeza trazia consigo um toque de ânimo nas palavras de Moisés: “Ó Senhor Deus! Passas-te a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua poderosa mão” (Dt 3:24). Séculos mais tarde, Moisés colocou seus pés na Terra Santa, na glória do monte da transfiguração, com Jesus e Elias (Mt 17:1-3). Todas as palavras de Moisés no início de seu discurso de despedida prepararam o caminho para sua explicação e aplicação da lei de Deus, pois a história e a responsabilidade andam juntas. Deus havia realizado feitos poderosos em favor de seu povo, tanto ao abençoá-lo quanto ao discipliná-lo, e Israel tinha a responsabilidade de amar a Deus e de obedecer à sua Palavra. Ao longo de todo o seu discurso, Moisés lembra os israelitas, com frequência, de que eram um povo privilegiado, o povo de Deus, separado de todas as nações da Terra para o Senhor. Para que uma nova geração de cristãos marche vitoriosa rumo ao futuro, é preciso que volte a suas raízes e que aprenda novamente os fundamentos do que significa ser povo de Deus.

Autor: W.W e adapt. Eli Vieira

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