ORAÇÃO E AÇÃO DA IGREJA PRESBITERIANA EM GARANHUNS NA EPIDEMIA DE 1897

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ORAÇÃO E AÇÃO DA IGREJA PRESBITERIANA EM GARANHUNS NA EPIDEMIA DE 1897

O MISSIONÁRIO DR. GEORGE BUTLER E A GRANDE EPIDEMIA EM GARANHUNS DE 1897 |  Agreste Presbiteriano
Dr. Butler

O ano de 1897 foi de terrível angústia e desolação para Garanhuns. Uma nuvem sombria e ameaçadora parecia pairar sobre a cidade. O Dr. Butler e a família mal haviam chegado de Salvador, desabou sobre a população tremenda epidemia de febre amarela, que durou cinco meses.

De toda parte houviam-se lamentos. Havia luto, choro e angústia. Os gemidos clamavam aos céus, enquanto as vítimas desciam à sepultura. A peste ceifava vidas em quantidade, enlutando numerosas famílias. Não havia casa em que não houvesse um doente de febre amarela. Morriam em média, oito pessoas por dia. A cidade ficou quase deserta, poque o povo fugia espavorido. Era desolador o seu estado. No período em que predominou a epidemia, pelo menos 612 vítimas desceram a sepultura, das quais a maioria eram homens. Há quem diga que morreram 800 pessoas ao todo. Bem se pode imaginar a tristeza e a angústia reinantes.

Para aquela hora, Deus havia preparado o Dr. Butler e a igreja. Ele não somente permaneceu na cidade, mas dispôs-se a dar assistência a todos os doentes. Ficou sozinho! O próprio padre, Pedro Pacífico deixou a cidade. Abandonando os seus paroquianos e foi se proteger no Estado de Alagoas. O Dr. Butler e a igreja transformaram-se em “anjos”. Naquele contexto de sofrimento.

 Ele trabalhou com denodo no sentido de minorar as aflições da população, mesmo daqueles que eram seus perseguidores. Dava-lhes remédio e pedia aos crentes que orassem por eles. Quando encontrava uma casa em que não havia quem pudesse prestar socorro aos doentes, nomeava turmas de irmãos que se revezavam e ministravam os medicamentos. A muitos que não tinha alimentos, mandava leite para que não morressem de fome. E diariamente, ao meio-dia, reunia os crentes para orar, pedindo socorro divino para a calamitosa tempestade.

Houve uma coisa curiosa que chamou a atenção de todos: nenhum evangélico morreu em consequência da epidemia. Alguns foram atingidos pela doença, mas, uma vez medicados, ficaram bons. Isso criou no Dr. Butler a convicção profunda da presença e do poder de Deus em meio a situação. Ele chegou a afirmar, com toda a firmeza de espírito, que a epidemia não era para os crentes. Quando tudo passou, quando a vida começou a voltar à normalidade, lembraram-se eles do versículo bíblico que diz: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã”(Sl 30.5).

A epidemia tornou-se um marco divisório na vida do Dr. Butler. Depois dela ele seria visto mais com médico, incansável no afã de fazer o bem, do que como pregador. Os papéis por ele exercidos até o momento sofreram assim uma certa inversão, dadas as tremendas necessidades e carências da época. Ele seria o médico com alma de pastor que amava intensamente as almas, e o pastor com alma de médico, que sentia a aflição do corpo enfermo. As duas atividades eram realizadas a um só tempo. Eram dois trabalhos, duas funções, dois ministérios, com um único propósito: redimir o homem em suas carências físicas, morais, sociais e espirituais.

Ele cria na pregação do Evangelho da manhã à noite, tanto em dias da semana, como aos domingos. Cria que Deus o usaria como instrumento para salvação de almas. Fazia viagens evangelísticas todas as semanas, variando a distância que percorria entre 11 e 94 quilômetros. Pregava sempre três vezes por semana e, as vezes, cinco. E fazia ao mesmo tempo, todo trabalho que competia ao médico e cirurgião que ele também era. Atendia de três a dez pacientes todos os dias, resolvendo os casos mais variados.

Extraído do livro: A Bíblia e o Bisturi

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