A Vida do Rev. George Whitehill Chamberlain

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Rev. George Whitehill Chamberlain

Notável evangelista em São Paulo e na Bahia, fundador da Escola Americana

 Inicialmente Chamberlain não veio ao Brasil como missionário, e sim em caráter particular. Ele nasceu no dia 13 de agosto de 1839 em Waterford, Condado de Erie, no noroeste da Pensilvânia. Estudou no Colégio Delaware, em Newark, Estado de Delaware, onde se bacharelou em 1857, e no Seminário Teológico Union, em Nova York (1857-1859). Algumas fontes dizem que estudou no Union College e que foi membro da 4ª Igreja Presbiteriana de Washington. Trabalhou como professor até que veio para o Brasil por recomendação médica, visando obter melhora para os olhos, que haviam sido prejudicados pelos estudos. Chegou ao Rio de Janeiro em 21 de julho de 1862 trazendo uma carta de recomendação para o Rev. Alexander L. Blackford, cunhado de Ashbel Green Simonton, que se encontrava nos Estados Unidos. Conheceu também o professor Horace Manley Lane, seu futuro colaborador. Blackford sugeriu-lhe que visitasse o campo missionário e ele interessou-se muito pelo trabalho evangelístico. Esteve por cerca de um ano e meio na Província de São Paulo, tendo visitado o Rev. Francis Schneider em Rio Claro, e no Rio Grande do Sul (Porto Alegre), onde lecionou inglês.

Em 23 de maio de 1864 chegou ao Rio de Janeiro em companhia do poeta Antônio José dos Santos Neves para auxiliar o Rev. Simonton, em resposta a um apelo deste. Fez companhia ao pioneiro por ocasião da morte de sua esposa Helen, no final de junho. Colaborou também em São Paulo, na capital e no interior. Residiu na capital paulista de novembro de 1864 a agosto de 1865 como professor particular de inglês, tendo prestado ―constante e valioso auxílio em todos os trabalhos e pregações evangélicas‖, segundo consta do prefácio histórico do 1º livro de atas da Igreja de São Paulo. Esteve presente à organização da Igreja de São Paulo, em 5 de março de 1865. Em março e abril acompanhou Simonton numa viagem a Brotas e em agosto e setembro fez muitas viagens pelo interior. Regressou então ao Rio, onde por seis meses auxiliou Simonton, substituindo-o quando este foi a São Paulo para a organização do Presbitério do Rio de Janeiro.

Em 6 de janeiro de 1866, soube por carta de sua nomeação como missionário coadjutor. Vindo do Rio a São Paulo em 8 de abril, pregou na ausência de Blackford e em seguida foi
novamente a Brotas, onde fez pregações com o Rev. José Manoel da Conceição. No início de maio, assistiu ao batismo de vários parentes de Conceição, ministrado pelo Rev. Schneider. De regresso a São Paulo, pregou em Sorocaba em 20 de maio, seguindo então para o Rio. Sua ordenação se deu no dia 8 de julho do mesmo ano, na segunda reunião do Presbitério do Rio, realizada na capital do império. Foi examinado sobre a sua experiência e vocação religiosa, ciências naturais, grego e latim. À noite, proferiu a sua homilia sobre Romanos 12.1-5. Na sessão seguinte, foi examinado sobre teologia e história eclesiástica. No dia 7 pregou o sermão de prova sobre João 6.29, sendo ordenado no domingo dia 8. Fez a parênese o Rev. Simonton e pregou o Rev. José Manoel da Conceição.

No mês seguinte (agosto de 1866), Chamberlain seguiu para os Estados Unidos a fim de estudar teologia no Seminário de Princeton. Nesse período, angariou a maior parte dos recursos para a construção do templo da Igreja do Rio de Janeiro e contraiu matrimônio com Mary Ann Annesley (1868). Também acompanhou o Rev. José Manoel da Conceição em suas viagens pelo país e o apresentou às igrejas de imigrantes madeirenses em Illinois. Nessa visita, Chamberlain convidou o Rev. Robert Lenington, que estava pastoreando duas dessas igrejas em Jacksonville e Springfield, a vir para o Brasil, e influenciou João Fernandes Dagama, presbítero da Igreja de Springfield, que viria para o Brasil como missionário em 1870. Compareceu a duas reuniões da Assembléia Geral da Igreja do Norte (1867 e 1868) como representante da missão brasileira. Enquanto isso, no dia 15 de dezembro de 1867, a Igreja de São Paulo, em assembléia presidida pelo Rev. Blackford, elegeu como pastores Chamberlain e Emanuel N. Pires, a fim de que pudessem oficiar casamentos legalmente.

Chamberlain regressou ao Brasil em 23 de setembro de 1868, demorando-se por um ano na Igreja do Rio em substituição a Blackford, que se achava nos Estados Unidos. Quase um ano depois, escrevendo às crianças do seu país, deu-lhes informações sobre a Escola Dominical daquela igreja e sobre um passeio feito ao Jardim Botânico. Em outubro de 1869 assumiu o pastorado da Igreja de São Paulo, organizada quatro anos antes, onde permaneceria até 1887, com alguns intervalos motivados por viagens no Brasil e aos Estados Unidos. Deu novo impulso à fraca igreja e visitou incansavelmente os bairros da capital, o interior da província e o litoral, evangelizando e abrindo igrejas. Em 1870 e 1871, esteve em Sorocaba, Santa Bárbara, Capivari, Campinas, Jundiaí, Itu, Limeira, Brotas, Rio Claro e outros locais.

Em 1870, em sua residência à Rua Visconde de Congonhas do Campo, nº 1, o casal Chamberlain iniciou a Escola Americana. Uma hora por dia, Mary Ann passou a dar aulas a meninas que não podiam freqüentar as escolas públicas por causa da intolerância religiosa. No ano seguinte, a escola passou a ocupar as instalações da igreja, na Rua Nova de São José, nº 1 (atual Líbero Badaró), sob a direção da missionária Mary P. Dascomb, que também lecionava matemática. Os outros mestres eram Mary Ann Chamberlain (música e francês), Harriet Greenman (inglês, caligrafia e conhecimentos gerais), Júlio Ribeiro (português), Palmira Rodrigues (história) e Adelaide Molina (geografia). Em 3 de setembro de 1876, a escola transferiu-se para a Rua de São João, esquina com Rua do Ipiranga, onde também passou a funcionar o internato para meninas e, dois anos depois, o jardim da infância (Kindergarten). A igreja reuniu-se por vários anos no salão da Escola Americana, sendo o templo da Rua 24 de Maio inaugurado em 6 de janeiro de 1884. Os dois edifícios

(da escola e da igreja) foram construídos mediante donativos angariados em grande parte por Chamberlain nos Estados Unidos, onde esteve de agosto de 1875 a dezembro de 1876 e de março a setembro de 1882 (sendo substituído pelo Rev. John B. Howell).

Chamberlain organizou a Igreja de Caldas (MG) em 20 de abril de 1873 e a de Lençóis (SP) em 15 de dezembro de 1880. Foi moderador do Presbitério do Rio de Janeiro por três vezes, em 1873, 1874 e 1877. Recebeu como membros da Igreja de São Paulo senhoras de famílias ilustres (como Maria Antonia da Silva Ramos, filha do Barão de Antonina) e homens que iriam destacar-se na vida nacional (entre os quais o futuro escritor Júlio César Ribeiro e o futuro cientista Vital Brasil Mineiro da Campanha). Por vários anos, também se dedicou à preparação de candidatos ao ministério tais como Antônio Pedro de Cerqueira Leite, Eduardo Carlos Pereira e Manoel Antônio de Menezes. Durante a estadia inicial do casal Chamberlain no Rio de Janeiro e depois na cidade de São Paulo nasceram os seus sete filhos, a saber: Laura (1869), Pierce (1872), Mary Christine (1873), Ruth (1875), Helen (1877), George Agnew (1879) e Daniel Stewart (1881). Todos foram batizados por diferentes colegas do pai como os Revs. Blackford, Morton, Vanorden, Howell e Lenington. Uma boa foto da família Chamberlain pode ser vista nas páginas finais do livro A Igreja Presbiteriana no Brasil, da Autonomia ao Cisma, do Rev. Boanerges Ribeiro.

Em 1885, Chamberlain convidou o médico e educador Horace M. Lane para assumir a direção da Escola Americana e no início do ano seguinte foi inaugurado o internato para meninos na Rua Maria Antonia, em uma propriedade adquirida pelo casal Chamberlain e depois doada à instituição. A pedra memorial colocada no dia 4 de julho, que pode ser vista ainda hoje em um dos edifícios do Mackenzie, tem as palavras de 1 Timóteo 1.17: ―Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, a Deus só seja honra e glória. Anno Domini 1885‖. Parte dos recursos para a construção desse edifício veio de algumas senhoras dos Estados Unidos e outra parte do general Couto de Magalhães, um oficial do exército brasileiro residente em São Paulo. Nas lutas em torno do Mackenzie na década de 1890, que contribuíram para a divisão do presbiterianismo brasileiro em 1903, Chamberlain apoiou os planos da Junta de Nova York. Ele, que sempre se dedicou à evangelização, entendia que a educação também era uma importante esfera de atuação da igreja.

Com a Escola Americana sob a direção do Dr. Horace Lane e a Igreja de São Paulo entregue aos cuidados do pastor auxiliar, Rev. Modesto Carvalhosa, Chamberlain pôde dedicar-se mais plenamente à evangelização. Em maio de 1886 esteve no Paraná com o Rev. W. M. Brown, sucessor do Rev. Blackford como agente da Sociedade Bíblica Americana. Enquanto Brown e o colportor Francisco Alves de Oliveira distribuíam a Bíblia, Chamberlain fez conferências em Curitiba, Itaqui, Campo Largo, Ponta Grossa, Castro e Tibagi. No final do mesmo ano, fez uma segunda visita àquele estado, por alguns meses, pregando nos mesmos lugares. Sofreu forte perseguição em Campo Largo, estando acompanhado pelo colega George Landes. No início de 1887, visitou vários pontos do Rio Grande do Sul e participou da organização da Igreja de Rio Grande, no dia 6 de março. Em setembro daquele ano, encerrou o seu pastorado na capital paulista, partindo novamente para a sua terra, onde se demorou por quase um ano devido a sérios problemas de saúde.

Em agosto de 1888, a Igreja Presbiteriana de São Paulo elegeu o seu primeiro pastor brasileiro, Eduardo Carlos Pereira. De regresso ao Brasil, Chamberlain participou da
organização do Sínodo Presbiteriano, sendo nomeado ―missionário sinódico‖, cargo que exerceu até 1897, tendo sido reeleito em 1891 e 1894. Permaneceu inicialmente em São Paulo, visitando muitos locais do interior, principalmente o vasto campo de Lençóis, como já o fizera anteriormente por várias vezes. Esteve presente na inauguração do templo da Igreja de Jaú em 13 de dezembro de 1891 e, usando da palavra, historiou o seu trabalho naquele município desde 1875. Ao longo dos anos, foram poucos os antigos campos do sul que não receberam pelo menos uma visita do incansável obreiro.

Em junho de 1892, devido à morte do Rev. Edgar M. Pinkerton e à retirada do Rev. Woodward E. Finley para o campo de Sergipe, Chamberlain transferiu-se para a Bahia, a fim de dar assistência às Igrejas de Salvador e Cachoeira, mediante autorização do Presbitério do Rio de Janeiro, para o qual havia se transferido. Fez longas viagens pelo interior e visitou outros estados, dando continuidade ao seu trabalho como missionário do sínodo. Geralmente pregava nas salas do júri cedidas pelas prefeituras. Em março de 1893, acompanhado do colportor e evangelista José Clementino, visitou a Fazenda Flores, perto de Orobó (atual Rui Barbosa), onde recebeu no dia 22 os primeiros membros. Na segunda visita do missionário, os crentes tentaram iniciar um trabalho na vila, mas foram impedidos por forte oposição. Mais tarde foi construído um pequeno templo e uma igreja foi organizada em 28 de setembro de 1902.

Chamberlain passou vários meses no sul do Brasil em 1894. Em 21 de janeiro participou da organização da Igreja do Riachuelo, no Rio de Janeiro, e no dia 12 do mês seguinte esteve presente ao lançamento da pedra angular do edifício do Mackenzie College, dedicado ―às ciências divinas e humanas‖. Participaram da cerimônia o ministro do interior, Dr. Cesário Mota Júnior, o senador Prudente de Morais Barros e outras autoridades destacadas. Mais tarde, quando Prudente de Morais estava para assumir a Presidência da República (18941898), Chamberlain o visitou e lhe ofereceu um exemplar das Escrituras. Em abril e maio de 1894, passou cinqüenta dias em Sergipe auxiliando o Rev. Finley e pregando nas principais cidades do estado. No segundo semestre, depois de comparecer à terceira reunião do sínodo, pregou em Campos, Nova Friburgo, Juiz de Fora, Barbacena, Ouro Preto, Sabará e nas minas de Morro Velho. No início de 1895 e 1896 fez novas viagens respectivamente a São Paulo e ao Paraná.

Em março de 1896, Chamberlain fixou residência em Feira de Santana, na Bahia, dando continuidade ao seu trabalho evangelístico, pastoral e educacional. No ano seguinte, solicitou dispensa do cargo de missionário sinodal. Chorou em 1899 a perda de dois filhos, vitimados pela febre amarela: Mary Christine, em 4 de setembro, e o caçula Daniel Stewart em dezembro, em Feira de Santana. De 1899 a 1902, fez de São Félix e Cachoeira os pontos de partida de suas viagens evangelísticas. Em 19 de novembro de 1901, recebeu os primeiros membros em Palmeiras, na região da Chapada Diamantina, cuja igreja seria organizada no dia 7 de setembro de 1902. Ao lado do Rev. Finley, organizou a Igreja de Aracaju no dia 13 de dezembro de 1901.

Vitimado pelo câncer, o missionário seguiu para os Estados Unidos em busca de tratamento, mas já era tarde. Quis morrer no Brasil, ao qual devotara quarenta anos da sua vida. Foi a São Paulo visitar a sua antiga igreja e a Escola Americana. Depois esteve no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, seguindo para o Nordeste. Visitou mais uma vez a Igreja de Cachoeira. Mary Ann mantinha um internato, onde residiam várias professoras e alunos. Duas irmãs de Chamberlain, Mary e Elizabeth, moravam com eles e também a missionária Margaret B. Axtell, que veio a casar-se com o Rev. Henry J. McCall. Chamberlain faleceu na casa do seu filho Pierce, em Salvador, no dia 31 de julho de 1902, exatamente um ano antes da separação dos presbiterianos que, no dizer de um historiador, teria magoado o seu coração pacifista. Foi sepultado no velho Cemitério dos Ingleses, no Rio Vermelho. Escrevendo para São Paulo, sua viúva observou: ―O Senhor foi muito misericordioso para conosco e tomou-o para si mui suavemente‖. Ficaram no Brasil D. Mary Ann e os filhos Laura, Pierce, Helen e George Agnew.

Uma placa em homenagem a Chamberlain, existente no Edifício Mackenzie (Prédio n° 1), tem os seguintes dizeres: ―Por amor de Cristo: servo do povo brasileiro durante 39 anos, evangelizador dos sertões e das cidades, fundador da Escola Americana. Sonhador cujo sonho realizado é o Mackenzie College, seu primeiro benfeitor que com a doação destes terrenos, abriu o caminho para o seu progresso. Cercado dos seus patrícios adotivos, nas plagas baianas, espera ressurreição.‖ Sua filha Laura (que se casou em 1897 com o Rev. William A. Waddell) dedicou quarenta anos à obra missionária no Brasil (1893-1932), Pierce, dez anos (1899-1909) e Mary Christine, dois anos (1897-1899). Mary Christine professara a sua fé na Igreja de São Paulo em 6 de setembro de 1885, aos doze anos. A Sra. Mary Ann faleceu nos Estados Unidos em 1930.

Em 1898, o Rev. Chamberlain editou o livro Harpa de Israel, uma tradução dos salmos a partir do texto hebraico feita pelo professor e ex-sacerdote Francisco Rodrigues dos Santos Saraiva (1834-1900). Deixou inúmeros escritos em todos os periódicos presbiterianos do seu tempo, bem como muitas atas, relatórios pastorais, cartas e outros documentos. Nas lutas eclesiásticas, soube manter uma atitude digna e cristã. Dez dias antes da sua morte escreveu uma carta ao seu antigo discípulo, Rev. Eduardo Carlos Pereira, a propósito das questões vitais da igreja, carta essa que ficou por concluir e mesmo assim foi publicada em O Estandarte.

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